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Disputa interna em facção criminosa termina em mortes e intensifica violência na capital

Uma disputa interna provocou um racha na facção criminosa Bonde dos 40 e desencadeou uma sequência de homicídios em Teresina. No centro do conflito está Antônio de Deus Pereira Neto, conhecido como “Fantasmão”, apontado pela Polícia Civil como responsável por ordenar execuções de integrantes da própria facção sem autorização das lideranças.

Entre as vítimas está Adailson Veloso da Costa, conhecido como “Tempo”, considerado uma das principais lideranças do grupo. As investigações indicam que Fantasmão também teria assassinado Everton Douglas de Araújo após contrair uma dívida relacionada à compra de ouro e se recusar a quitá-la, o que agravou ainda mais a crise interna.

Diante das ações, a própria facção decretou a morte de Fantasmão. A partir disso, ele passou a recrutar integrantes insatisfeitos com o Bonde dos 40 e a articular ataques contra antigos aliados, aprofundando o racha dentro da organização criminosa.

Uma das execuções mais emblemáticas desse rompimento foi a de Adailson Veloso da Costa. Um dos autores do crime foi o próprio filho da vítima, Alessandro Krysttyan da Silva Santos Passos, conhecido como “Lacoste”. Após o assassinato do pai, Alessandro foi capturado e posteriormente morto dentro do sistema prisional.

Nesse contexto, surge o nome de Raimundo Ferreira de Sousa Neto, preso na manhã desta quarta-feira no bairro Poty Velho, zona Norte de Teresina. Segundo a polícia, ele teria se aliado a Fantasmão e migrado para a facção Comando Vermelho, passando a integrar o grupo responsável pela cisão.

Após o racha, o grupo promoveu uma série de ataques na zona Sul da capital. Em dezembro de 2024, foram executados Mikael Jackson de Sousa Rodrigues, de 24 anos, e João Marcelo, de 26. De acordo com a polícia, as vítimas tinham ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Durante as investigações, foram encontradas imagens compartilhadas em grupos da facção que confirmavam o decreto de morte contra os integrantes responsáveis pelo rompimento interno. No dia do duplo homicídio, os suspeitos chegaram a ser perseguidos por policiais militares da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam), mas conseguiram fugir após abandonar o veículo utilizado no crime.

As investigações apontam Raimundo Ferreira de Sousa Neto como o autor dos disparos que mataram Mikael Jackson e João Marcelo. Ele já havia sido preso no ano passado e é considerado pela polícia um indivíduo de alta periculosidade. Apesar do histórico violento, não houve resistência no momento da prisão.