Chico Lucas anuncia criação de Forças Nacionais para reforçar combate ao tráfico nas fronteiras do Brasil

O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, anunciou nesta sexta-feira (20) a criação de Forças Nacionais voltadas especificamente para o combate ao tráfico internacional nas fronteiras brasileiras. A medida tem como objetivo reforçar a atuação integrada entre estados e União nas regiões consideradas mais vulneráveis às rotas do crime organizado.
O modelo, que ainda está em fase de estudo, prevê a formação de uma força interestadual para atuar de maneira estratégica nas fronteiras e nos corredores com maior incidência de tráfico de drogas e armas. Segundo o secretário, o Brasil possui mais de 17 mil quilômetros de fronteiras, sendo cerca de 8 mil quilômetros marítimos, o que exige um reforço além da atuação já desempenhada pelo Exército.
Chico Lucas destacou que, embora o Exército exerça papel fundamental na defesa da soberania nacional, o policiamento ostensivo e investigativo demanda integração técnica com os estados e com a Policia Federal. Ele afirmou que a proposta é fortalecer essa cooperação e estruturar Forças Nacionais capazes de pensar e agir de forma estratégica nas rotas do tráfico.
Entre as áreas consideradas críticas está a região do Alto Solimões, no sudoeste do Amazonas, apontada em estudo do Forum Brasileiro de Seguranca Publica como uma das principais rotas do tráfico internacional na Amazônia. A área é marcada pela disputa entre facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Outra rota relevante é a chamada Rota Caipira, que passa por Paraguai e Bolívia e entra no Brasil principalmente pelos estados do Mato Grosso do Sul e Parana. Nessas regiões, o tráfico ocorre por vias terrestre e aérea. O Paraná liderou as apreensões de drogas no país em 2025, segundo dados do estudo.
O Porto de Santos, em Sao Paulo, permanece como a principal porta de saída da cocaína brasileira para o exterior, concentrando cerca de 60% da droga traficada internacionalmente pelo país. Outras rotas também incluem portos do Centro-Sul, como os de Vitória, Rio de Janeiro e Paraná.
De acordo com o secretário, a proposta é que as novas Forças Nacionais atuem de maneira integrada e não restrita a apenas um estado, fortalecendo operações conjuntas como a Amazônia Segura e ampliando o enfrentamento ao crime organizado nas fronteiras e nos principais corredores logísticos do tráfico internacional.
