Comerciante é preso suspeito de vender veneno usado na morte de 28 animais em Parnaíba

Um comerciante foi preso durante uma operação da Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (29), em Parnaíba, litoral do Piauí. Ele é suspeito de envolvimento no envenenamento de 28 animais, entre cães, gatos e aves, registrados em diferentes pontos da cidade na primeira quinzena de abril.
Durante a ação, realizada no estabelecimento do suspeito, os policiais apreenderam 48 invólucros de carbofurano líquido, com 9 ml cada. A substância, altamente tóxica e proibida no Brasil, é popularmente conhecida como “chumbinho”. Outros materiais também foram recolhidos e serão analisados para identificar o conteúdo armazenado.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, a comercialização e o uso do chamado “chumbinho” já configuram crime, independentemente da finalidade. Ele destacou ainda a gravidade do carbofurano, apontado como o veneno encontrado nos animais mortos.
“Essa substância é extremamente tóxica. Apenas 1 ml pode matar um ser humano em menos de 30 minutos. Ela é dissolvida em água, não tem cheiro nem gosto, o que a torna ainda mais perigosa”, explicou.
As investigações apontam que o comerciante seria o principal distribuidor do veneno na cidade. Ele foi preso em flagrante e também pode responder por posse ilegal de arma de fogo, já que um armamento sem registro foi encontrado no local. A pena pode chegar a até 15 anos de prisão.
A operação, denominada “Antídoto”, teve como objetivo identificar a origem do veneno utilizado nos crimes e interromper sua circulação. Segundo a polícia, os animais envenenados foram encontrados em pelo menos três bairros de Parnaíba.
Apesar da prisão, as investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a motivação dos envenenamentos. A principal linha de apuração indica que o crime pode ter sido motivado por uma tentativa de controle populacional de animais.
“O controle populacional não pode ser feito com crueldade. É necessário investimento em políticas públicas. Esses animais sofreram uma morte lenta e dolorosa”, ressaltou o delegado.
O estabelecimento foi interditado pelo Corpo de Bombeiros devido ao armazenamento irregular de substâncias tóxicas próximas a alimentos, além da presença de pólvora e munições. O local possuía autorização para comercialização de armas de fogo.
A Polícia Civil tem prazo de 30 dias para concluir o inquérito. Os laudos periciais também são aguardados para auxiliar na finalização das investigações.
