Polícia prende motorista investigado por atropelar policial penal e fugir sem prestar socorro

O homem suspeito de atropelar o policial penal Gilvan Furtado Leite e a filha dele, uma jovem de 20 anos com transtorno do espectro autista (TEA), foi preso preventivamente na manhã desta terça-feira (1º), no bairro Promorar, zona Sul de Teresina. O investigado, identificado como Julio Cesar, havia sido preso no dia do acidente, em 6 de junho, mas foi colocado em liberdade após passar por audiência de custódia.
O acidente aconteceu no bairro Bela Vista, também na zona Sul da capital. Gilvan seguia de motocicleta com a filha, em um trajeto que costumava fazer para ajudá-la a se acalmar, quando os dois foram atingidos por um carro. O policial penal sofreu ferimentos graves e permanece internado no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), enquanto a jovem continua em recuperação.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações apontaram que o motorista dirigia sob efeito de álcool, trafegava na contramão e atingiu frontalmente a motocicleta das vítimas. Após a colisão, ele teria fugido do local sem prestar socorro.
O delegado Carlos César, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Trânsito (DRCT), afirmou que novas provas reunidas durante a investigação foram decisivas para o pedido de prisão preventiva.
“Esses novos elementos confirmaram a gravidade do delito e, inclusive, que ele possui antecedentes criminais. Também confirmaram que havia necessidade da garantia da ordem pública”, destacou.
Segundo o delegado, testemunhas e outros elementos da investigação revelaram que, poucas horas antes do atropelamento, o suspeito quase provocou outro grave acidente ao dirigir embriagado e na contramão pelas ruas do bairro Bela Vista.
Além disso, a Polícia Civil apurou que, cerca de seis meses antes, o investigado também teria invadido, com o carro, a residência de um vizinho após colidir contra o portão da garagem, episódio que também teria ocorrido sob efeito de álcool. Na ocasião, ele ainda teria ofendido o morador com palavras de baixo calão.
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil alterou o enquadramento do caso. Inicialmente tratado como lesão corporal culposa no trânsito, o crime passou a ser investigado como tentativa de homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, quando o condutor assume o risco de provocar a morte.
Segundo Carlos César, o entendimento foi acolhido pela Central de Inquéritos Policiais e contou com parecer favorável do Ministério Público.
“Conseguimos demonstrar que a conduta configura tentativa de homicídio doloso, a título de dolo eventual, contra duas vítimas: o policial penal e sua filha, que estava na garupa da motocicleta. Diante disso, a Justiça decretou a prisão preventiva, que foi cumprida nesta terça-feira”, explicou o delegado.
Julio Cesar permanece à disposição da Justiça e responderá às acusações conforme o andamento do processo.
