Lula evita contato com Alcolumbre em meio a risco de greve de caminhoneiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem evitado retomar o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mesmo diante da possibilidade de ampliação das paralisações de caminhoneiros em diferentes regiões do país. A categoria cobra a votação de uma medida provisória que estabelece um piso para o pagamento do frete pelas empresas.
A proposta está parada no Senado e tem validade até o próximo dia 16. Caso não seja apreciada dentro do prazo, perderá a eficácia, aumentando a insatisfação dos caminhoneiros, que ameaçam intensificar os protestos.
Mesmo com o cenário de tensão, Lula optou por não procurar Alcolumbre para negociar diretamente. As articulações políticas foram delegadas aos líderes do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT-AP).
O distanciamento entre Lula e Alcolumbre vem se aprofundando desde a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores, aliados afirmam que a relação entre os dois permanece desgastada e consideram remota a possibilidade de uma reaproximação antes das eleições.
Enquanto isso, Randolfe Rodrigues e Teresa Leitão mantêm negociações com os senadores Styvenson Valentim (Podemos-RN), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO). O objetivo é construir um consenso em torno do texto da medida provisória, evitando que a proposta precise retornar à Câmara dos Deputados.
Segundo interlocutores de Davi Alcolumbre, caso haja acordo entre os parlamentares, o presidente do Senado colocará a matéria em votação antes do vencimento da medida provisória.
