Salário mínimo pode subir para R$ 1.717 em 2027, prevê governo

O salário mínimo brasileiro poderá chegar a R$ 1.717 em 2027, segundo projeção apresentada pelo governo federal no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado ao Congresso Nacional. O valor representa um aumento de R$ 96 em relação ao piso atual, de R$ 1.621, o que corresponde a uma alta nominal de 5,92%.
A estimativa foi elaborada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento e ainda não representa o valor definitivo. O número poderá sofrer alterações conforme o comportamento da inflação e dos indicadores econômicos ao longo deste ano.
De acordo com o governo, o reajuste previsto para 2027 representa um ganho real de 2,5% acima da inflação. Na prática, a intenção é garantir que trabalhadores que recebem o piso nacional tenham uma pequena elevação no poder de compra.
Valor ainda será confirmado
Apesar de a previsão de R$ 1.717 já constar no planejamento orçamentário, o valor oficial só será conhecido no fim de 2026. O cálculo definitivo depende principalmente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro, que será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O valor inicialmente estimado no PLDO serve como referência para a elaboração do orçamento. Posteriormente, a previsão é detalhada no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), encaminhado ao Congresso Nacional no segundo semestre.
Após a definição dos índices econômicos, o valor oficial do salário mínimo é estabelecido por decreto presidencial.
Em 2026, por exemplo, o piso nacional foi fixado em R$ 1.621 pelo Decreto nº 12.797, assinado em 23 de dezembro de 2025, com validade a partir de 1º de janeiro de 2026.
Caso a projeção atual seja confirmada, o salário mínimo de R$ 1.717 começará a valer em 1º de janeiro de 2027.
Como funciona o reajuste
Desde 2023, o Brasil voltou a adotar uma política permanente de valorização do salário mínimo, estabelecida pela Lei nº 14.663/2023.
A fórmula considera dois principais componentes: a reposição da inflação medida pelo INPC e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.
Assim, para o cálculo do salário mínimo de 2027, será considerado o desempenho da economia brasileira em 2025. Quando há crescimento econômico, parte desse resultado pode ser incorporada ao reajuste, garantindo aumento acima da inflação.
Existe, entretanto, um limite para o ganho real. Pelas regras do arcabouço fiscal, esse aumento fica limitado a 2,5% ao ano, mesmo que o crescimento do PIB permita um percentual maior.
A regra busca conciliar a política de valorização do salário mínimo com o controle das despesas públicas. Isso ocorre porque o piso nacional também serve de referência para benefícios como aposentadorias, pensões, seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Cesta básica consome mais da metade do salário
Mesmo com a previsão de aumento, o salário mínimo ainda permanece distante do valor considerado necessário para cobrir todas as despesas de uma família.
Dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostram o impacto dos preços dos alimentos sobre a renda dos trabalhadores.
Em junho de 2026, a cesta básica média nas capitais brasileiras custava R$ 779,95, valor que representava cerca de 52% do salário mínimo líquido. Em 12 meses, a alta acumulada da cesta foi de 8,69%.
Em São Paulo, onde foi registrado o maior preço entre as capitais, a cesta chegou a R$ 965,47.
Com base nos preços dos produtos essenciais, o DIEESE também calcula o chamado salário mínimo necessário, estimativa do valor que uma família de quatro pessoas precisaria para arcar com despesas como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência.
Em junho de 2026, esse valor foi estimado em R$ 8.110,92, quase cinco vezes o salário mínimo vigente.
Aumento terá impacto limitado no orçamento
Se o salário mínimo de R$ 1.717 for confirmado, o trabalhador terá R$ 96 a mais por mês em relação ao piso atual. Embora o reajuste represente uma melhora na renda, o impacto sobre o orçamento familiar tende a ser limitado diante do custo dos produtos e serviços essenciais.
O ganho real projetado pelo governo é de 2,5%. Na prática, porém, o poder de compra dependerá também da evolução dos preços ao longo de 2027, especialmente dos alimentos.
Dessa forma, o reajuste previsto representa uma valorização do piso nacional, mas não elimina a diferença entre o salário efetivamente recebido pelos trabalhadores e o valor considerado necessário para garantir as despesas básicas de uma família.
