Brasil cria 58,5 mil empregos formais em julho, pior resultado para o mês desde 2020

O mercado de trabalho formal brasileiro criou 58.568 vagas em julho de 2026, resultado de 2,263 milhões de admissões e 2,204 milhões de desligamentos. O saldo é o pior para o mês desde 2020, segundo dados do Novo Caged divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O resultado representa uma forte desaceleração em relação a junho, quando foram criados 137.044 postos de trabalho, e também na comparação com julho de 2025, que teve saldo positivo de 133.932 vagas.
Na comparação anual, a geração líquida de empregos caiu 56,3%. Já em relação a junho, a retração foi de 57,3%.
A principal razão para a perda de ritmo foi o aumento dos desligamentos. Em relação a junho, as admissões cresceram 1%, com cerca de 21,5 mil contratações a mais. Já os desligamentos aumentaram 4,8%, representando quase 100 mil demissões adicionais.
Na comparação com julho do ano passado, as admissões ficaram praticamente estáveis, com queda de 0,4%, enquanto os desligamentos cresceram 3,1%.
Pior julho desde 2020
O resultado de julho de 2026 é o menor saldo registrado para o mês desde o início da série do Novo Caged, em 2020. Naquele ano, marcado pelo início da pandemia de Covid-19, foram criadas 108.514 vagas no mês.
Desde então, os saldos de julho foram:
- 2021: 307.018 vagas;
- 2022: 225.362 vagas;
- 2023: 142.390 vagas;
- 2024: 191.783 vagas;
- 2025: 133.932 vagas;
- 2026: 58.568 vagas.
O Ministério do Trabalho alerta que os dados anteriores a 2020 pertencem ao antigo Caged e seguem metodologia diferente. Considerando toda a série apresentada, o resultado de julho deste ano ainda ficou acima dos saldos registrados em julho de 2017, 2018 e 2019, quando foram abertas 50.781, 58.145 e 51.625 vagas, respectivamente.
Acumulado do ano também perde força
Entre janeiro e julho, o Brasil registrou a criação de 972.203 empregos formais, resultado de 16,258 milhões de admissões e 15,286 milhões de desligamentos.
Com isso, o estoque de empregos acompanhados pelo Novo Caged chegou a 48,083 milhões de vínculos em julho, acima dos 48,024 milhões registrados no fim de junho e dos 47,202 milhões de julho de 2025.
Apesar do resultado positivo, o acumulado dos sete primeiros meses é o menor desde 2020. Naquele ano, o país havia perdido 1,398 milhão de postos no mesmo período.
Entre 2021 e 2025, todos os saldos registrados nos primeiros sete meses do ano ficaram acima de 1 milhão de vagas.
Comércio foi o único setor a fechar vagas
Entre os cinco grandes setores da economia, quatro registraram saldo positivo em julho. O destaque foi o setor de serviços, com 24.098 novas vagas.
Veja o resultado por setor:
- Serviços: 24.098 vagas;
- Construção: 12.691 vagas;
- Agropecuária: 12.523 vagas;
- Indústria: 11.315 vagas;
- Comércio: -2.056 vagas.
Dentro dos serviços, o maior saldo foi registrado nas atividades de transporte, armazenagem e correio, que abriram 15.222 postos de trabalho.
O segmento que reúne informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas criou outras 9.743 vagas. Já alojamento e alimentação teve saldo negativo de 1.811 empregos.
No acumulado do ano, os serviços lideram a geração de empregos, com 591.519 vagas, seguidos pela construção, com 180.449; indústria, com 154.052; e agropecuária, com 54.106. O comércio, por outro lado, acumula perda de 7.896 postos entre janeiro e julho.
Jovens concentram geração de empregos
Os dados do Novo Caged também mostram que a criação de vagas em julho ficou concentrada principalmente entre os trabalhadores mais jovens.
A faixa etária de 18 a 24 anos teve saldo positivo de 68.248 empregos. Entre os trabalhadores de até 17 anos, foram criados outros 21.177 postos.
Por outro lado, houve fechamento de 4.354 vagas entre pessoas de 25 a 29 anos e de 26.503 entre trabalhadores com 30 anos ou mais.
A concentração também aparece na análise por faixa salarial. Entre os registros com remuneração identificada, foram criadas 5.609 vagas com salário de até um salário mínimo e 85.621 postos na faixa entre um e 1,5 salário mínimo.
Todas as faixas acima de 1,5 salário mínimo registraram saldo negativo em julho.
Entre os trabalhadores com ensino médio completo, foram abertas 50.675 vagas. Já aqueles com ensino superior completo tiveram saldo negativo de 13.304 postos.
Salário médio de admissão chega a R$ 2,4 mil
O salário médio real de admissão ficou em R$ 2.419,23 em julho, considerando valores corrigidos pela inflação medida pelo INPC.
O valor representa alta real de 0,6% em relação aos R$ 2.404,10 registrados em junho. Na comparação com julho de 2025, quando o salário médio de entrada era de R$ 2.370,85, houve crescimento real de 2%.
Entre os cinco grandes setores, a construção apresentou o maior salário médio de admissão, de R$ 2.634,50. Na sequência aparecem serviços, com R$ 2.502,18, e indústria, com R$ 2.499,30.
Os menores salários médios de entrada foram registrados no comércio, com R$ 2.138,65, e na agropecuária, com R$ 2.213,27.
Cinco estados registram fechamento de vagas
Apesar do saldo positivo nacional, cinco unidades da Federação terminaram julho com fechamento líquido de postos de trabalho.
Os maiores resultados negativos foram registrados em:
- Espírito Santo: -2.605 vagas;
- Rio Grande do Sul: -903 vagas;
- Tocantins: -366 vagas;
- Santa Catarina: -248 vagas;
- Distrito Federal: -134 vagas.
O desempenho de julho reforça a percepção de desaceleração do mercado formal de trabalho brasileiro em 2026, com redução significativa na abertura de vagas em relação aos anos anteriores e aumento no número de desligamentos.
