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Flamengo e Fluminense são alvo de multa e investigação na gestão do Maracanã

A gestão do Maracanã por Flamengo e Fluminense entrou no radar das autoridades após uma série de questionamentos sobre a administração do complexo esportivo. Dois anos depois da assinatura da concessão, o consórcio formado pelos clubes foi multado e passou a ser alvo de um inquérito que apura possíveis irregularidades na condução do estádio e do Maracanãzinho.

As apurações envolvem, entre outros pontos, a comprovação dos serviços de manutenção do estádio e suspeitas de superlotação em partidas em que Flamengo e Fluminense atuaram como mandantes.

A concessionária Fla-Flu Serviços informou que não irá se manifestar sobre os questionamentos.

Relatório aponta falhas na manutenção

Um verificador independente, responsável por acompanhar externamente a execução do contrato de concessão, identificou o que classificou como “ocorrência de falhas estruturais” na gestão do Maracanã durante 2025.

O relatório aponta problemas na documentação apresentada para comprovar os serviços de manutenção. Segundo o documento, não foram apresentados cronogramas detalhados e a programação de cuidados seria genérica, sem comprovação técnica suficiente de que determinadas atividades foram efetivamente realizadas.

Entre os itens analisados estão geradores, motores elétricos, sistemas fotovoltaicos, drenagem pluvial, limpeza e conservação do complexo.

O relatório foi encaminhado ao Governo do Rio de Janeiro, responsável pela gestão do contrato, que concordou com a análise apresentada pelo verificador independente.

Concessionária é multada em R$ 401 mil

Diante dos apontamentos, o governo estadual aplicou uma multa de R$ 401.217,48 à concessionária. O valor corresponde a 2% da majoração da outorga fixa anual, que gira em torno de R$ 20 milhões.

O pagamento, porém, está suspenso. O consórcio Fla-Flu apresentou recurso administrativo e contesta as conclusões apresentadas no processo.

Em documento encaminhado ao governo, a concessionária negou que tenha deixado de comprovar os serviços de manutenção. O consórcio afirmou ainda que a avaliação independente teria sido baseada em considerações gerais, sem detalhar suficientemente os fundamentos técnicos das supostas falhas.

Segundo a empresa, foram realizados serviços em áreas como drenagem pluvial, sistemas elétricos e eletrônicos, transporte vertical, limpeza e conservação, acompanhados de relatórios técnicos, registros fotográficos e documentos de empresas especializadas.

O Governo do Rio informou que o processo ainda está em análise e que não existe decisão definitiva sobre o caso. Segundo o Executivo estadual, o recurso apresentado pelo consórcio foi encaminhado à Assessoria Jurídica para avaliação dos argumentos de defesa.

Ministério Público investiga possível superlotação

Além dos problemas relacionados à manutenção, a Fla-Flu Serviços também é alvo de um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro no fim de agosto.

A investigação busca apurar possíveis casos de superlotação em partidas de Flamengo e Fluminense realizadas entre dezembro de 2025 e agosto de 2026.

De acordo com a portaria que abriu o procedimento, foram identificados jogos em que há indícios de que o número de ingressos emitidos em determinados setores pode ter ultrapassado a capacidade prevista para essas áreas.

O Ministério Público solicitou informações ao Flamengo, Fluminense, Polícia Militar e às empresas responsáveis pela comercialização dos ingressos.

Os órgãos e empresas deverão informar a quantidade total de ingressos emitidos em cada partida analisada e quantos bilhetes foram efetivamente utilizados.

Recorde de público está entre os jogos analisados

Uma das partidas citadas na investigação é o confronto entre Flamengo e Ceará pelo Campeonato Brasileiro do ano passado, que registrou 73.244 pessoas presentes no Maracanã. O jogo marcou a comemoração do título brasileiro do clube carioca e estabeleceu o maior público do estádio após a reforma para a Copa do Mundo de 2014.

A capacidade oficial do Maracanã é de 78.838 pessoas, mas o estádio não costuma operar com o número máximo devido às regras de segurança. Parte dos assentos deixa de ser comercializada para garantir o isolamento da torcida visitante.

Outro ponto analisado pelo Ministério Público é a organização dos setores do estádio. O Maracanã comercializa ingressos para as áreas Norte, Sul, Leste e Oeste, divididas entre anéis superior e inferior.

Nos setores Norte e Sul, não existe obrigatoriedade de permanência no anel correspondente ao ingresso. Dessa forma, um torcedor que comprou entrada para a parte inferior pode acessar a área superior do mesmo setor.

O Ministério Público também questiona se existe justificativa técnica para eventuais diferenças entre a quantidade de ingressos disponibilizados e o número de pessoas presentes em determinados setores.

As respostas solicitadas pelo MP ao consórcio, ao governo estadual e às empresas envolvidas são aguardadas até o fim desta semana.

Concessão

Flamengo, Fluminense e Governo do Rio de Janeiro assinaram o contrato de concessão do Maracanã em setembro de 2024. Pelo acordo, os clubes receberam o direito de administrar, operar e realizar a manutenção do estádio e do Maracanãzinho por 20 anos.

Para administrar o complexo, foi criada a empresa Fla-Flu Serviços. Os dois clubes já estavam à frente da gestão do Maracanã desde 2019, por meio de contratos temporários.