Trump elogia rapidez da apuração no Brasil e volta a criticar sistema eleitoral dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou a rapidez da apuração dos votos no Brasil e voltou a fazer críticas ao sistema eleitoral norte-americano. A manifestação ocorreu nesta segunda-feira (5), em uma publicação na rede social Truth Social, após a conclusão da apuração do primeiro turno das eleições brasileiras.
Trump destacou que o resultado da votação no Brasil foi conhecido poucas horas depois do encerramento das urnas. Na publicação, ele comparou o modelo brasileiro ao sistema adotado nos Estados Unidos, onde a contagem pode levar mais tempo em razão das diferentes regras utilizadas nos estados.
Inicialmente, porém, o presidente norte-americano cometeu um erro ao citar a Índia como o país que havia realizado a eleição. A afirmação estava incorreta, já que não houve eleição presidencial indiana no período. Horas depois, Trump corrigiu a publicação e substituiu a referência pela palavra Brasil.
Sem mencionar os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, que disputarão o segundo turno da eleição presidencial brasileira, Trump afirmou que os brasileiros tiveram acesso ao resultado no mesmo dia da votação.
Na mensagem, o republicano também voltou a questionar o processo de votação dos Estados Unidos e afirmou que a contagem de votos em algumas cidades e estados norte-americanos pode levar semanas.
Críticas ao sistema eleitoral brasileiro
A manifestação de Trump ocorre em meio a um histórico recente de interesse do governo norte-americano pelo processo eleitoral brasileiro. Na semana passada, uma reportagem do jornal britânico The Guardian informou que os Estados Unidos teriam destinado US$ 1 milhão, aproximadamente R$ 5,1 milhões, para um projeto voltado a organizações da sociedade civil críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a reportagem, o projeto, denominado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, teria como objetivo financiar grupos que questionam o que classificam como excesso de atuação judicial e censura por parte da Suprema Corte brasileira.
Após a divulgação da informação, a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República para apurar o suposto financiamento e uma possível tentativa de interferência nas eleições brasileiras ou de deslegitimação do STF.
Governo brasileiro já havia negado vistos
Em julho, o governo brasileiro também negou pedidos de visto para dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam viajar ao país antes das eleições.
Os norte-americanos Riley M. Barnes, subsecretário do Departamento de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário adjunto, pretendiam realizar reuniões com autoridades ligadas ao processo eleitoral brasileiro.
O governo brasileiro decidiu não autorizar a entrada dos funcionários. O episódio ocorreu em meio ao aumento das manifestações do governo Trump sobre questões relacionadas ao sistema eleitoral, às instituições brasileiras e ao funcionamento do STF.
