Flávio Bolsonaro sinaliza a aliados que pode tentar derrubar o fim da escala 6×1

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, teria sinalizado a aliados que pretende atuar para modificar ou até mesmo revogar o fim da escala de trabalho 6×1, caso a proposta seja aprovada pelo Congresso Nacional. A informação aponta para uma diferença entre as conversas reservadas do parlamentar e o posicionamento que ele apresentou publicamente sobre o tema.
Segundo relatos de bastidores, a sinalização ocorreu em conversas com integrantes de seu entorno político e considera as preocupações de setores empresariais com os possíveis efeitos da redução da jornada de trabalho sobre os custos das empresas.
Na terça-feira (13), Flávio anunciou que votará a favor da proposta que acaba com o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso. Nos bastidores, entretanto, o apoio à medida não significaria, necessariamente, compromisso com a manutenção definitiva das regras previstas no texto.
A estratégia seria buscar alterações que atendam às demandas dos empregadores, sem descartar uma eventual tentativa de revogação da mudança constitucional.
Pressão eleitoral influencia posicionamento
A discussão também envolve os cálculos eleitorais da oposição. Aliados do senador avaliam que uma posição abertamente contrária ao fim da escala 6×1 poderia provocar desgaste na campanha presidencial, diante da mobilização popular em defesa da redução da jornada de trabalho.
Nesse cenário, integrantes da oposição no Senado desistiram de organizar uma estratégia de obstrução da votação. A avaliação seria de que uma resistência explícita à proposta poderia ser difícil de justificar aos eleitores durante a disputa presidencial.
Flávio defende maior liberdade para que trabalhadores e empregadores negociem as condições da jornada de trabalho. A ideia é apresentada como alternativa a uma redução obrigatória da carga horária semanal.
Ao anunciar seu voto favorável, o senador afirmou que a maioria dos trabalhadores brasileiros deseja o fim da escala 6×1. Ao mesmo tempo, defendeu que o governo assuma os custos adicionais que a mudança poderá provocar para as empresas.
A posição tenta conciliar o apoio público a uma pauta popular com as preocupações de setores empresariais, que apontam possíveis consequências para as contratações e para a atividade econômica.
Senado prevê votação nesta quarta-feira
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para esta quarta-feira (14) a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1.
A base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende concluir a análise em dois turnos no mesmo dia, antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
O texto em discussão prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso por semana e sem redução salarial. Para ser aprovado no Senado, precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada turno.
A proposta já passou pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Caso seja aprovada sem alterações nos dois turnos, poderá seguir para promulgação pelo Congresso Nacional.
Mudanças futuras exigiriam nova votação
Se a alteração constitucional entrar em vigor, uma eventual iniciativa para modificar ou revogar suas regras exigirá a aprovação de uma nova emenda constitucional.
Para isso, será necessário obter o apoio de pelo menos três quintos dos parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em dois turnos de votação em cada Casa.
O fim da escala 6×1 tornou-se uma das principais pautas trabalhistas da campanha de Lula à reeleição. Com a votação prevista para ocorrer às vésperas do segundo turno, o tema ganha ainda mais peso na disputa entre o presidente e Flávio Bolsonaro.
