Eleições nos EUA podem pressionar Trump a rever tarifaço contra o Brasil

O futuro das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos pode ganhar novos contornos a partir do resultado das eleições legislativas americanas. Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que uma eventual vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato, marcadas para a próxima terça-feira (3), poderá pressionar Donald Trump a rever estratégias políticas e comerciais, incluindo as sobretaxas impostas a produtos brasileiros.
A avaliação dentro do governo brasileiro é que uma mudança na composição do Congresso dos Estados Unidos poderá reduzir a margem de atuação de Trump nos dois últimos anos de seu mandato. Com os democratas conquistando a maioria parlamentar, o presidente americano teria de negociar mais para aprovar projetos, garantir recursos orçamentários e implementar medidas de interesse de sua administração.
Nesse cenário, a expectativa é de que Trump adote uma postura mais pragmática na política externa, diminuindo iniciativas consideradas ideológicas e possíveis interferências na política interna de países da América Latina.
Tarifaço pode voltar à mesa de negociação
O governo brasileiro também vê a possibilidade de avanço nas conversas para suspender as tarifas adicionais aplicadas a produtos nacionais exportados para os Estados Unidos.
As negociações estão paralisadas desde a última reunião entre representantes dos dois países, realizada em 30 de setembro. Desde então, Brasília aguarda uma sinalização do governo americano, com a apresentação de uma lista de demandas para mudanças nas relações comerciais bilaterais.
A expectativa é que uma eventual reorganização política em Washington, após as eleições, crie condições para a retomada do diálogo e para a construção de um entendimento sobre as sobretaxas.
Democratas podem influenciar outras pautas
Uma eventual maioria democrata no Congresso americano também poderá repercutir em temas considerados estratégicos pelo governo Lula, como a regulamentação das grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs.
O resultado das eleições poderá alterar o equilíbrio de forças entre o Executivo e o Legislativo dos Estados Unidos, influenciando a tramitação de propostas e a condução de políticas públicas.
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterm elections, renovam todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das cadeiras do Senado. Embora não escolham diretamente o presidente, elas são consideradas decisivas para a governabilidade da Casa Branca.
Além das consequências legislativas, o resultado poderá levar Trump a promover mudanças em cargos do governo para acomodar aliados e reorganizar sua base política.
Para o Brasil, a expectativa é que uma eventual mudança no equilíbrio de forças em Washington favoreça a retomada das negociações comerciais e abra espaço para uma relação menos marcada por disputas políticas e tarifárias.
