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Conflito entre EUA e Venezuela impede retorno de família do Piauí ao Brasil

O sonho de virar o ano em clima de tranquilidade no Caribe terminou em incerteza, gastos inesperados e desgaste emocional para uma família piauiense. Impedidos de retornar ao Brasil após o fechamento do espaço aéreo de Aruba, consequência direta da escalada do conflito entre Estados Unidos e Venezuela, a advogada Zaira Amorim, o marido e os dois filhos pequenos vivem dias de tensão longe de casa.

A família viajou no dia 27 de dezembro para passar o Réveillon na ilha caribenha e tinha retorno previsto para a noite do sábado, 3 de janeiro. No entanto, no momento do check-out do hotel, veio a surpresa: o aeroporto estava fechado e nenhum voo sairia naquele dia por medida de segurança.

“Quando fomos fazer o check-out no hotel, fomos informados de que o aeroporto estava fechado e que naquele dia não sairia nenhum voo, por causa dos ataques. O governo fechou o espaço aéreo até que a situação estivesse mais segura, já que Aruba fica próximo da Venezuela”, relatou Zaira.

Segundo a advogada, não houve comunicação clara nem por parte do aeroporto nem da companhia aérea. A única alternativa apresentada foi um voo apenas para o dia 10 de janeiro, uma semana depois da data prevista para o retorno.

“A companhia aérea só informava que o único voo disponível seria no dia 10. Mas quem iria arcar com hospedagem, alimentação e todos os custos nesse período seríamos nós”, explicou.

Diante da falta de opções, todos os gastos extras passaram a ser custeados pela própria família. Para tentar voltar ao Brasil o quanto antes, eles precisaram adquirir novas passagens por outra companhia aérea, enfrentando um trajeto mais longo e incerto.

“Compramos passagem para sair daqui até a Argentina e, chegando lá, vamos tentar comprar outro voo para o Brasil. Ainda não temos confirmação total, vamos esperar chegar à Argentina para tentar resolver”, disse.

Zaira afirmou que, ao retornar ao Brasil, pretende adotar medidas judiciais contra a empresa aérea. “Provavelmente vamos acionar judicialmente a companhia. Oferecer apenas um voo para o dia 10, uma semana depois, gera custos muito altos. É uma cidade turística, tudo é caro”, destacou.

Apesar da situação, a advogada disse não se sentir insegura quanto a riscos maiores. “Em relação à segurança, a gente não tem sentido receio. Se o aeroporto está liberando os voos, acredito que não há risco”, afirmou.

O maior impacto, segundo ela, é o desgaste físico e emocional, especialmente por estar acompanhada de duas crianças pequenas. “É todo um estresse. Tenho dois filhos, de sete e três anos. Eles não entendem o que está acontecendo; a gente evita falar do problema maior. Para eles, é só que não deu certo pegar o voo. Mas para nós, é um transtorno físico e emocional muito grande”, concluiu.

O que está acontecendo na Venezuela

No sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, após ataques militares contra Caracas. Segundo o governo americano, Maduro será responsabilizado por quatro crimes, incluindo conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de armas de uso restrito.

Além do casal, também foram indiciados o filho do líder venezuelano, conhecido como “Nicolasito”, e três integrantes do governo. Todos foram levados inicialmente à sede da DEA, nos Estados Unidos, e posteriormente encaminhados a Nova York.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou a ação e pediu uma resposta da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que os ataques violam a soberania da Venezuela e criam um precedente perigoso para a comunidade internacional.