Contrato milionário da gestão Edilson Capote em Barras levanta suspeitas de irregularidades
A gestão do prefeito Edilson Sérvulo de Sousa, o popular “Edilson Capote”, em Barras, volta a chamar a atenção por mais um contrato polêmico. Desta vez, trata-se de um acordo no valor de R$ 1,3 milhão para serviços de dedetização e sanitização, que levanta sérias dúvidas sobre a transparência e o destino dos recursos públicos.
A empresa beneficiada é a P H Marques de Moura (Yucca Engenharia e Empreendimentos), sediada em Vera Mendes, a mais de 500 km de Barras. Com um capital social de apenas R$ 200 mil, a companhia foi contemplada com um contrato que equivale a mais de sete vezes seu patrimônio declarado: R$ 1.328.734,40. O dono, Paulo Henrique Marques de Moura, é engenheiro elétrico, fato que torna o caso ainda mais controverso diante do serviço contratado.
Os recursos utilizados para a contratação vêm de fontes essenciais, como Fundeb, Fundo Municipal de Assistência Social, FPM e ICMS, que deveriam ser destinados a áreas prioritárias da população. No entanto, a capacidade técnica da empresa para executar os serviços contratados é, no mínimo, duvidosa. Como prova de qualificação, a Yucca apresentou apenas um atestado técnico, supostamente emitido em 22 de agosto, referente a serviços prestados no Condomínio Pinheiro Park, em Teresina – documento que surge de forma bastante conveniente pouco antes da assinatura do contrato milionário.

Segundo o acordo, a empresa será responsável pela dedetização, desinsetização, desratização, descupinização, descorpinização e sanitização de 45 escolas, 21 postos de saúde e 10 prédios da administração municipal. Trata-se de um trabalho de grande porte, que exigiria expertise comprovada na área. Contudo, uma simples visita ao perfil da Yucca Engenharia no Instagram revela um dado inusitado: não há qualquer menção a serviços de controle de pragas, mas sim a atividades ligadas a energia solar.
A discrepância entre o contrato firmado e o real campo de atuação da empresa escancara uma série de incongruências: distância da sede, capital social incompatível, atestado técnico emitido em cima da hora e evidente desconexão entre o objeto da licitação e a atuação declarada da empresa.
Diante disso, cresce a cobrança para que o Ministério Público do Piauí investigue o caso e coloque a contratação sob rigorosa análise. A população de Barras merece respostas e a certeza de que os recursos públicos estão sendo utilizados com responsabilidade e probidade, e não em contratos que levantam mais dúvidas do que soluções.

