“Eu não vou renunciar”: Eduardo Bolsonaro desafia STF e transforma exílio nos EUA em bandeira pela liberdade
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) encerra neste domingo (20) uma licença parlamentar de 120 dias, período em que permaneceu nos Estados Unidos em meio a uma conjuntura que, segundo ele, ameaça as liberdades democráticas no Brasil. A decisão de se afastar da Câmara e permanecer fora do país não foi motivada por medo, segundo o parlamentar, mas por uma estratégia de resistência diante do que classifica como uma perseguição institucional contra opositores do atual governo.
Um afastamento com propósitos políticos
Ao abrir mão do mandato temporariamente, Eduardo também renunciou ao salário e às garantias oferecidas pelo cargo. Mesmo longe do Brasil, manteve posicionamento firme contra o Supremo Tribunal Federal, com ênfase nas críticas ao ministro Alexandre de Moraes, a quem acusa de promover um cerceamento sistemático da liberdade de expressão.
De acordo com o deputado, sua permanência nos Estados Unidos é uma forma de denunciar o que chama de “instrumentalização da Justiça” para silenciar vozes críticas ao governo. Apesar de não descartar um retorno ao país, Eduardo já declarou que não pretende renunciar ao cargo, pois considera que sua atuação vai além das atividades parlamentares convencionais.
Críticas ao Judiciário e cenário político
Em diversas manifestações públicas, Eduardo Bolsonaro tem questionado a atuação do STF, que, em sua visão, vem transformando adversários políticos em alvos jurídicos. Ele argumenta que a corte tem adotado medidas duras sob o pretexto de proteger a democracia, mas que, na prática, configurariam perseguição política.
O caso do ex-presidente Jair Bolsonaro também foi citado como exemplo. Eduardo afirma que a acusação de tentativa de golpe, que atualmente pesa contra seu pai, é usada como ferramenta para inviabilizar uma eventual candidatura em 2026, já que Bolsonaro ainda aparece como principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais.
Estratégia internacional
A estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, além de protegê-lo de eventuais medidas judiciais que possam ser tomadas no Brasil, também serve como base para levar o debate sobre a situação política brasileira a fóruns internacionais. Segundo ele, a oposição perdeu espaço de fala no país, o que justificaria a necessidade de buscar interlocução no exterior.
O deputado afirma que continuará denunciando o que considera abusos do sistema judiciário brasileiro e alertando a comunidade internacional sobre o risco de um avanço autoritário travestido de legalidade.
Liberdade como bandeira
Para Eduardo Bolsonaro, sua atuação fora do país representa mais do que uma estratégia individual: é uma forma de manter viva a discussão sobre liberdade de expressão e democracia. Segundo o parlamentar, a luta contra o que classifica como censura e perseguição precisa ultrapassar os limites do mandato e alcançar a sociedade como um todo.

