Mbappé sai em defesa de Vinicius após acusação de racismo em Lisboa

O que deveria ser lembrado como um golaço antológico acabou ofuscado por mais um episódio lamentável de racismo no futebol europeu. No duelo entre Benfica e Real Madrid, nesta terça-feira (17), em Lisboa, o brasileiro Vinícius Júnior denunciou ter sido alvo de ofensas racistas — desta vez, segundo ele, vindas de um companheiro de profissão.
Aos cinco minutos do segundo tempo, Vinicius protagonizou um lance brilhante. Deixou o lateral Amar Dedic para trás com dribles desconcertantes e finalizou em curva, sem chances para o goleiro Anatoliy Trubin, marcando um dos gols mais bonitos desta edição da Liga dos Campeões. Na comemoração, fez sua tradicional dancinha em frente à bandeira de escanteio e acabou advertido com cartão amarelo pelo árbitro francês François Letexier, que entendeu o gesto como provocação à torcida.
O clima esquentou logo depois. Quando os jogadores se posicionavam para o reinício da partida, Vinicius correu em direção ao árbitro acusando o atacante argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, de tê-lo chamado de “mono” (macaco). Letexier interrompeu imediatamente o jogo, cruzando os braços em forma de X — gesto previsto no protocolo antirracismo. A paralisação durou cerca de dez minutos. Prestianni não foi punido, já que cobriu a boca com a camisa ao falar, dificultando qualquer leitura labial por parte do VAR.
Após a partida — vencida por 1 a 0 pelo Real Madrid — o francês Kylian Mbappé saiu em defesa do companheiro e foi contundente: afirmou que o jogador do Benfica repetiu a ofensa cinco vezes e que outros atletas também ouviram. “Este jogador para mim não merece jogar mais a Liga dos Campeões. Temos de dar os melhores exemplos aos jovens”, declarou.
Outro que se posicionou foi Eduardo Camavinga, que defendeu Vinicius e afirmou que, diante da gravidade da situação, o árbitro deveria ter encerrado a partida.
Em suas redes sociais, Vinicius voltou a se manifestar. “Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para mostrar como são fracos. Não gosto de aparecer em situações como essa, ainda mais depois de uma grande vitória, quando as manchetes têm que ser sobre o Real Madrid, mas é necessário”, escreveu.
Já Prestianni negou as acusações. Também pelas redes, afirmou que não proferiu insultos racistas e que Vinicius teria interpretado mal o que ouviu. Disse ainda lamentar ameaças recebidas após o episódio.
Os insultos contra Vinicius Júnior vêm se repetindo nos gramados europeus. O brasileiro já abriu mais de duas dezenas de processos na Justiça espanhola, dois deles com condenações históricas. O caso em Lisboa, no entanto, marca um novo capítulo: pela primeira vez, a denúncia envolve diretamente um adversário em campo, ampliando o debate sobre racismo, impunidade e os limites da provocação no futebol profissional.
