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Prefeito Edilson Capote é alvo de investigação do MPF por contrato de R$ 835 mil com empresa de servidores públicos

O Ministério Público Federal (MPF) requisitou a abertura de um inquérito policial para investigar um contrato de R$ 835.335,20 firmado pela Prefeitura de Barras, que apresenta fortes indícios de irregularidades na aplicação de recursos públicos. O documento foi assinado em 28 de agosto de 2025 pelo prefeito Edilson Sérvulo de Sousa, conhecido como Edilson Capote, e tem como objeto a recuperação de estradas vicinais no município.

A empresa Liderança Construtora LTDA, vencedora do processo licitatório, chamou a atenção do MPF por suas características incomuns. Sediada em Miguel Leão, o menor município do Piauí, a construtora pertence a dois servidores efetivos da prefeitura local: Clemilton Monteiro Barras, vigia municipal com carga horária de 40 horas semanais e salário de R$ 1.583,00, e Evaldo Roberto Silva, Ouvidor-Geral com jornada igualmente integral e remuneração de R$ 2.000,00.

De acordo com o MPF, o caso levanta questionamentos “incontornáveis” sobre como servidores com dedicação exclusiva em outro município poderiam administrar e executar um contrato de engenharia de quase um milhão de reais. Além disso, o órgão ressalta a aparente incompatibilidade entre as funções e remunerações dos sócios e a responsabilidade técnica e financeira exigida para a execução de uma obra dessa magnitude.

A situação, segundo o Ministério Público, pode configurar violação aos princípios da moralidade, impessoalidade e eficiência que regem a administração pública, previstos no artigo 37 da Constituição Federal.

A Polícia Federal foi designada para conduzir as investigações, com o objetivo de apurar possíveis irregularidades no processo licitatório e na execução contratual, além de identificar eventuais responsabilidades administrativas e criminais dos envolvidos.