Servidores de Barras enfrentam falha no INSS e omissão da prefeitura para se aposentar
Um grave impasse previdenciário atinge dezenas de servidores públicos municipais em Barras (PI), que há mais de cinco anos enfrentam dificuldades para garantir o direito à aposentadoria. A situação se arrasta desde 2019 e, até agora, não foi solucionada pela gestão municipal, deixando trabalhadores à mercê de uma falha administrativa que compromete suas vidas e o futuro de suas famílias.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Barras, Francinaldo de Jesus da Silva, encaminhou recentemente um ofício ao Gerente Executivo do INSS, solicitando uma reunião urgente para discutir o problema das contribuições previdenciárias não reconhecidas pelo sistema da Previdência Social.
Contribuições viraram “anotações” no sistema
De acordo com o sindicato, o sistema do INSS só reconhece contribuições dos servidores municipais até novembro de 2019. A partir de dezembro daquele ano, todos os valores aparecem apenas como “anotações”, ou seja, não são computados nos cálculos para aposentadoria. Mesmo apresentando toda a documentação necessária — como contracheques e declarações da Secretaria Municipal — os servidores têm seus pedidos indeferidos.
“O servidor preenche todos os requisitos, entrega os documentos, e mesmo assim tem o pedido negado. Isso é desumano”, afirma Francinaldo.
Como consequência, muitos trabalhadores que já poderiam estar aposentados seguem obrigados a trabalhar, sem previsão de quando terão acesso ao benefício pelo qual contribuíram durante anos.
Administração municipal é acusada de omissão
O sindicato denuncia falta de ação da gestão do prefeito Edilson Servulo de Sousa, o “Edilson Capote”, que teria sido formalmente informado da situação, mas atribuiu a responsabilidade exclusivamente ao INSS, sem apresentar medidas efetivas para resolver o problema.
“Já estou cansado de correr atrás. E ao que parece, o município não está muito preocupado”, desabafa Francinaldo.
Segundo ele, a prefeitura chegou a prometer que solicitaria uma reunião com a superintendência do INSS, mas nada foi feito até o momento. O presidente sindical também critica o fato de nenhum assessor ter sido enviado a Brasília para tratar da questão junto aos órgãos federais.
Um drama institucional e social
A situação ganhou contornos ainda mais dramáticos por envolver servidores em idade avançada, que já enfrentam dificuldades de saúde e dependem da aposentadoria para garantir sua sobrevivência. Para o sindicato, o que está em jogo é mais do que um problema administrativo: trata-se de um direito fundamental sendo negado por omissão do poder público.
“É preciso um diálogo sério e institucional com o INSS. O sindicato está disposto, mas a prefeitura precisa fazer sua parte”, conclui Francinaldo.
Urgência por solução
Enquanto o impasse não é resolvido, a angústia só aumenta entre os servidores que aguardam a regularização das contribuições. A cada dia sem resposta, mais trabalhadores se aproximam da aposentadoria sem a mínima garantia de que conseguirão acessá-la.
O caso evidencia a necessidade urgente de mobilização política e institucional para garantir justiça a quem dedicou sua vida ao serviço público. A comunidade de Barras e os servidores aguardam, com razão, que essa injustiça seja corrigida com a agilidade e respeito que a situação exige.


