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Justiça aceita denúncia e torna Deolane Bezerra ré por lavagem de dinheiro e organização criminosa

A influenciadora digital Deolane Bezerra tornou-se ré após a Justiça de São Paulo aceitar denúncia apresentada pelo Ministério Público que a acusa de envolvimento com organização criminosa e lavagem de dinheiro supostamente ligada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A decisão foi assinada pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior paulista. Deolane está presa desde o dia 21 de maio na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista.

Além da influenciadora, também passaram à condição de réus Marco Willians Herbas Camacho, apontado como líder do PCC, além de Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior.

A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente. Segundo o Ministério Público, familiares e pessoas próximas a integrantes da facção teriam participado de um esquema para receber e distribuir recursos obtidos de forma ilícita por meio de uma empresa de transportes, seguindo determinações da cúpula da organização criminosa.

De acordo com os promotores, parte dos valores movimentados era destinada a Deolane Bezerra, a Everton de Souza e a Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola. A investigação sustenta que o grupo utilizava mecanismos financeiros para ocultar a origem dos recursos e inseri-los posteriormente no mercado formal, dando aparência de legalidade às movimentações.

As apurações tiveram como base relatórios de inteligência financeira, além da quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados. Conforme a denúncia, os dados apontaram indícios de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

O documento foi assinado por sete promotores de Justiça, entre eles o promotor Lincoln Gakiya, considerado uma das principais referências no combate ao PCC no Brasil. Gakiya atua há anos em investigações envolvendo a facção e integra o Gaeco de Presidente Prudente.

A Justiça também negou um pedido da defesa de Deolane para transferência de unidade prisional. Segundo o Ministério Público, a concessão de prisão domiciliar não se aplica a casos relacionados a organizações criminosas que atuam com o emprego de violência.

O caso segue em tramitação na Justiça paulista. Com o recebimento da denúncia, inicia-se a fase de instrução processual, durante a qual serão analisadas provas, depoimentos e os argumentos apresentados pelas defesas dos acusados.