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Audiência avança e defesa contesta provas em caso que envolve vereador foragido acusado de homicídio

Em meio a um caso que segue cercado de controvérsias e versões conflitantes, a Justiça do Maranhão realiza nesta quarta-feira (29) mais uma etapa decisiva do processo que envolve o vereador de Timon, Kaká do Frigo Sá, acusado de ser mandante de um homicídio ocorrido em 2023.

A segunda fase da audiência de instrução e julgamento acontece na Comarca de Matões, a cerca de 180 km de Timon. Além do parlamentar, que permanece foragido, também são réus no processo o irmão dele, Gildásio da Silva Sá, e o primo, Gilfran Sá da Silva. Os três são acusados de contratar pistoleiros para assassinar Antônio de Pádua, mediante o pagamento de R$ 100 mil.

Durante esta etapa, a expectativa é que cerca de dez testemunhas de defesa sejam ouvidas. À TV Cidade Verde, o advogado Hyldemburge Cavalcante, responsável pela defesa dos acusados, afirmou que pretende contestar pontos apresentados por uma das testemunhas de acusação ouvida na primeira fase da audiência, realizada em 18 de março.

Segundo essa testemunha, o vereador, o irmão e o primo teriam viajado ao Pará para planejar o crime e contratar os executores. No entanto, a defesa sustenta que provas técnicas contradizem essa versão. De acordo com o advogado, dados periciais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) indicam que o veículo citado não percorreu as rodovias mencionadas.

“O que a prova pericial apontou foi o contrário. Esse veículo que ele cita que viajou com os três acusados nunca transitou pelas BRs mencionadas. Ou seja, a prova técnica demonstra que essa viagem nunca existiu”, afirmou Cavalcante.

Ainda conforme a defesa, a quebra de sigilo telemático dos celulares dos réus reforça a tese de inocência. “A própria polícia trouxe aos autos que, nas datas citadas, a geolocalização dos aparelhos demonstra que eles estavam em Timon e Teresina”, acrescentou o advogado.

Por outro lado, o Ministério Público do Maranhão e os assistentes de acusação mantêm o entendimento de que há elementos suficientes que apontam a participação dos acusados no crime. Para o advogado Tiago Araújo, que atua como assistente de acusação, o caso apresenta indícios de premeditação e organização.

“Pela análise do relatório policial, trata-se de um crime bem articulado. O fato de um veículo estar em determinada cidade não significa que a pessoa também estava. Outras provas e testemunhos indicam que os acusados estiveram em uma fazenda no Pará”, destacou.

O crime ocorreu na madrugada de 15 de janeiro de 2023, na zona rural de Matões, onde Antônio de Pádua, de 38 anos, foi morto a tiros. Ao todo, seis pessoas foram denunciadas, sendo o vereador, o irmão e o primo apontados como mandantes.

Atualmente, Kaká do Frigo Sá e Gildásio seguem foragidos. Já Gilfran Sá e outros três acusados estão presos e devem participar da audiência por videoconferência. Após a oitiva das testemunhas, os réus serão interrogados, e a defesa deve solicitar a liberdade dos investigados.