Bispos do Piauí assinam carta que alerta para riscos à democracia no segundo turno presidencial

Bispos das dioceses de Campo Maior e Parnaíba, no Piauí, manifestaram preocupação com os rumos do Brasil diante do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Dom Benedito Araújo e Dom Edivalter Andrade assinaram uma carta aberta, divulgada em 22 de outubro, na qual um grupo de religiosos afirma que uma das candidaturas em disputa representa uma ameaça à democracia, à soberania nacional e a princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja Católica.
O documento foi elaborado por bispos de diversas dioceses brasileiras em comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Embora não mencione nominalmente os candidatos, o texto apresenta críticas a posições atribuídas a uma das candidaturas, relacionadas à tortura, aos direitos dos trabalhadores, às políticas sociais, ao meio ambiente e à relação do Brasil com os Estados Unidos.
Na carta, os religiosos afirmam que a disputa eleitoral vai além da escolha de um presidente e pode representar uma mudança profunda nos rumos do país. Para os signatários, é necessário considerar os ensinamentos da Igreja na hora de decidir o voto.
“Queremos auxiliar os católicos em sua decisão, apontando alguns pontos de antagonismo entre o ensinamento social da Igreja e uma das candidaturas em disputa”, diz um trecho do manifesto.
Críticas a propostas e posições políticas
Sem citar diretamente Flávio Bolsonaro (PL), o documento atribui a uma das candidaturas posições contrárias ao fim da escala de trabalho 6×1, favoráveis à ampliação do acesso a armas e alinhadas a uma política de maior aproximação com os Estados Unidos.
Os bispos também criticam declarações atribuídas ao candidato sobre a tortura e mencionam homenagens feitas por integrantes de sua família ao coronel Brilhante Ustra, reconhecido como torturador durante a ditadura militar brasileira.
Outro ponto abordado é a atuação do partido do candidato em relação aos programas sociais e às políticas de combate à pobreza. Segundo os religiosos, essas posições estariam em desacordo com a opção preferencial pelos pobres, princípio presente na doutrina católica.
O manifesto também trata da crise climática e da preservação ambiental, afirmando que uma das candidaturas não reconhece adequadamente os problemas ecológicos e poderia dar continuidade a políticas que, na avaliação dos signatários, contribuíram para a devastação ambiental.
Carta também menciona a outra candidatura
Embora concentre suas críticas em uma das candidaturas, o documento reconhece que a outra também está sujeita a questionamentos. Sem citar nominalmente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os bispos afirmam que essa candidatura demonstrou responsabilidade com os mais pobres e com a preservação ambiental, além de ter atuado dentro dos limites da ordem democrática, respeitando a Constituição.
Os religiosos defendem que eventuais insatisfações com o governo atual não devem ser o único critério para a escolha eleitoral. Na avaliação expressa no texto, os eleitores precisam considerar os valores humanitários, a defesa da democracia e os ensinamentos da Igreja.
Bispos convocam católicos a votar
Ao final da carta, os signatários reforçam a importância da participação dos eleitores no segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro. O documento pede que os católicos exerçam o direito ao voto e considerem a defesa da democracia, dos direitos humanos e das pessoas em situação de pobreza.
“Conclamamos a todos os católicos para que não deixem de exercer seu direito e votem no dia 25 de outubro, em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja”, conclui o manifesto.
Além de Dom Benedito Araújo, da Diocese de Campo Maior, e Dom Edivalter Andrade, da Diocese de Parnaíba, o documento é assinado por bispos de diferentes regiões do país.
A carta apresenta o posicionamento dos religiosos signatários e não deve ser confundida com uma manifestação oficial de toda a Igreja Católica ou de todos os bispos brasileiros.
