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Brasil bate recorde de feminicídios em 2025, com quatro mulheres assassinadas por dia

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios desde que o crime passou a ser tipificado na legislação brasileira. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), 1.571 mulheres foram mortas por razões de gênero ao longo do ano, o equivalente a uma média de quatro vítimas por dia.

O número representa um aumento de 4% em relação a 2024, quando foram contabilizados 1.504 casos. Desde 2015, primeiro ano em que o feminicídio foi incluído no Código Penal, o crescimento dos registros se aproxima de 250%.

Produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Anuário reúne dados das Secretarias de Segurança Pública dos 26 estados e do Distrito Federal e é considerado uma das principais referências sobre criminalidade no país.

Os dados contrastam com a tendência observada nos homicídios em geral. Enquanto o Brasil registrou, em 2025, a menor taxa de mortes violentas desde o início da série histórica do Anuário, em 2012, os feminicídios seguiram em trajetória de alta.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os números demonstram que medidas exclusivamente repressivas não têm sido suficientes para conter a violência contra a mulher. A entidade defende o fortalecimento de políticas voltadas à prevenção, à intervenção precoce e ao monitoramento dos fatores de risco, especialmente diante da persistência da violência doméstica e do aumento dos casos de descumprimento de medidas protetivas.

Perfil das vítimas

O levantamento mostra que a maior parte das vítimas de feminicídio em 2025 possuía características semelhantes:

  • 65,1% eram mulheres negras;
  • 56,5% tinham entre 25 e 44 anos;
  • 62,5% foram assassinadas dentro da própria residência.

Quem são os autores

Nos casos em que foi possível identificar os responsáveis pelos crimes, o perfil também se repetiu:

  • 96,4% dos autores eram homens;
  • 60,9% eram parceiros íntimos das vítimas;
  • 18,9% eram ex-companheiros;
  • 12,1% eram familiares.

Os dados reforçam que a maioria dos feminicídios ocorre no contexto de violência doméstica e é praticada por pessoas próximas às vítimas.

Violência antecede os assassinatos

O Anuário também evidencia que, na maior parte dos casos, o feminicídio é precedido por uma série de episódios de violência já conhecidos pelas autoridades.

Em 2025, foram registradas 8.864 tentativas de homicídio e feminicídio contra mulheres, uma média de 24 casos por dia — aproximadamente uma tentativa a cada hora.

Além disso, para cada feminicídio consumado, o país registrou, em média:

  • 502 ocorrências de ameaça;
  • 182 casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica;
  • 84 registros de descumprimento de medida protetiva de urgência;
  • 79 casos de perseguição (stalking).

Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, esses indicadores demonstram que o feminicídio costuma ser o desfecho de uma escalada de violência e reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas de prevenção, proteção e atendimento às mulheres em situação de risco.