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Exportações do Brasil para a Argentina caem 18,1% em 12 meses, mas país segue entre principais parceiros comerciais

As exportações brasileiras para a Argentina registraram queda de 18,1% nos últimos 12 meses, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Apesar da retração, o país vizinho permanece como o terceiro maior destino das vendas externas do Brasil, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

Em junho deste ano, o Brasil exportou US$ 1,325 bilhão para a Argentina, ante US$ 1,617 bilhão registrados no mesmo período de 2025. Com isso, a participação do mercado argentino na pauta exportadora brasileira caiu de 5,6% para 3,7%.

Os números apontam que a redução nas exportações ocorreu de forma gradual ao longo de 2026. Depois de encerrar 2025 ainda com alguns meses de crescimento nas compras de produtos brasileiros — como setembro, com alta de 24,8%, e outubro, com avanço de 5,8% —, a tendência mudou neste ano.

Em janeiro, as exportações apresentaram retração de 24% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em fevereiro, a queda chegou a 26,8%; em março recuou para 6,3%; em abril voltou a acelerar, atingindo 20,6%; em maio ficou em 21,8%; e, em junho, fechou em 18,1%. No mesmo período, a participação da Argentina nas exportações brasileiras caiu de 5,1% para os atuais 3,7%.

Tensão diplomática marca momento entre os dois países

A divulgação dos dados ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Argentina.

No último sábado (25), o presidente argentino, Javier Milei, participou da convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Durante o evento, Milei declarou apoio ao parlamentar, afirmou que ele poderá derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026 e fez críticas ao governo brasileiro e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Posteriormente, em entrevista à imprensa argentina, Milei voltou a atacar Lula, chamando o presidente brasileiro de “ex-presidiário”, além de afirmar, sem apresentar provas, que o governo do Brasil teria financiado uma campanha internacional contra sua administração.

As declarações provocaram reação do governo brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos, enquanto o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado para consultas. Integrantes do governo também se manifestaram publicamente sobre o episódio, e Lula respondeu às declarações do presidente argentino ao ser questionado pela imprensa.

Apesar do clima político, o porta-voz da Casa Rosada, Adrian Ravier, afirmou que o governo argentino não acredita que os desentendimentos entre os presidentes afetem as relações diplomáticas ou comerciais entre os dois países.

Segundo ele, as divergências têm caráter ideológico e não devem comprometer a parceria econômica. “Não acreditamos que isso vá impactar a relação diplomática entre os dois países, pelo menos da parte argentina”, declarou.

Comércio entre Brasil e Argentina costuma registrar oscilações

Especialistas destacam que as relações comerciais entre Brasil e Argentina historicamente apresentam ciclos de crescimento e retração, influenciados principalmente pelo desempenho da economia argentina, pela demanda da indústria automotiva, pelas oscilações cambiais e pelas condições do mercado regional.

Os dados do Mdic mostram que, em 2023, as exportações brasileiras chegaram a crescer mais de 30% em alguns meses. Já em 2024 foram registradas quedas superiores a 50%, seguidas por uma recuperação consistente ao longo de 2025. Em 2026, no entanto, o cenário voltou a ser de desaceleração, indicando redução das compras argentinas de produtos brasileiros, embora o país siga entre os principais parceiros comerciais do Brasil.