Lula cobra quebra de sigilo em investigações do caso Master: “O Brasil precisa saber a verdade”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quarta-feira (9), a quebra completa e urgente do sigilo das investigações relacionadas ao caso Master, envolvendo todos os investigados. Segundo o presidente, a divulgação das informações deve ocorrer independentemente de quem esteja envolvido.
“Seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, declarou Lula em uma publicação nas redes sociais.
O presidente afirmou ainda que a crise institucional envolvendo o Poder Judiciário exige “medidas imediatas”. Sem citar diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF), Lula disse que a população precisa de esclarecimentos diante da gravidade das suspeitas investigadas.
“O povo brasileiro precisa de explicações diante da gravidade do maior crime financeiro da história do país”, escreveu.
Críticas a vazamentos seletivos
Lula também defendeu maior transparência nas investigações e criticou o que classificou como “vazamentos seletivos”, especialmente em um período de disputa eleitoral.
“Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”, afirmou o presidente.
Na publicação, Lula citou como exemplo a Operação Spoofing, investigação da Polícia Federal que apurou, em 2019, a invasão de contas de autoridades e integrantes da força-tarefa da Lava Jato no aplicativo Telegram. O presidente mencionou a divulgação das informações durante a gestão de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça como uma referência a ser seguida.
Decisões envolvendo diretores da PF
A manifestação de Lula ocorre em meio ao aumento da tensão institucional envolvendo o caso Master.
Na terça-feira (8), o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada. Os dois foram citados em diálogos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Nesta quarta-feira (9), porém, o ministro Flávio Dino determinou a recondução dos dois diretores aos respectivos cargos.
A Segunda Turma do STF, responsável por analisar a questão, havia formado maioria de 3 votos a 0 para manter a decisão de Mendonça. Acompanharam o relator os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.
O julgamento, entretanto, foi interrompido após o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, pedir vista, solicitando mais tempo para analisar o processo. Pelo regimento, ele tem prazo de até 90 dias para devolver a matéria ao colegiado.
Toffoli declarou impedimento
O ministro Dias Toffoli, que anteriormente era o relator do caso Master, declarou-se impedido de analisar questões relacionadas à investigação e, por isso, ainda não participou das votações sobre o caso.
Na semana passada, durante um evento ao lado de Lula, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que a Corte daria uma resposta “firme, proporcional e rigorosa” diante das questões envolvendo o caso.
Nesta quarta-feira (9), Fachin cancelou uma sessão do plenário do STF que estava prevista para ocorrer e também não compareceu a um evento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A reunião do CNJ prevista para esta quinta-feira (10), entretanto, permanece na agenda.
Uma sessão presencial da Segunda Turma do STF que estava prevista para terça-feira (8), envolvendo outro processo sem relação com o caso Master, também não foi realizada.
