Lula diz que cortes de R$ 200 bilhões podem prejudicar os mais pobres e critica proposta de Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta quinta-feira (8), a proposta de corte de gastos públicos associada ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário no segundo turno das eleições presidenciais. Segundo Lula, um possível “tesouraço” nas despesas do governo poderá atingir principalmente a população mais pobre, com riscos para programas sociais.
Durante um encontro com aliados no comitê de campanha, em Brasília, o presidente afirmou que a redução de despesas pode afetar diretamente os trabalhadores e as famílias que dependem de políticas públicas. A estratégia da campanha petista é destacar os possíveis impactos das propostas econômicas do adversário sobre benefícios e serviços oferecidos à população.
“Fiquem preocupados, porque quando se falar em corte, significa meter a mão no bolso do povo trabalhador”, declarou Lula.
Proposta prevê corte de R$ 200 bilhões
O debate ganhou força após a circulação, no mercado financeiro, de informações sobre um projeto que prevê reduzir em R$ 200 bilhões as despesas públicas já durante a transição de governo. De acordo com as informações divulgadas, uma versão preliminar da proposta teria sido apresentada a investidores em setembro, durante uma reunião organizada pela consultoria Eurasia.
Lula comparou a iniciativa às medidas adotadas no início de seu atual mandato. O presidente afirmou que recebeu do governo de Jair Bolsonaro (PL) um orçamento com limitações para a execução de políticas públicas e lembrou a aprovação da chamada PEC da Transição, que autorizou despesas adicionais de aproximadamente R$ 198 bilhões fora do antigo teto de gastos.
“ No Brasil, toda vez que um governo fala que vai fazer corte, teto de gastos, ajuste fiscal, ele não fala tentando fazer com que os ricos percam alguma coisa. Fazem para tirar do pobre”, criticou.
Entre os programas que a campanha de Lula pretende colocar no centro do debate estão o Farmácia Popular, o Minha Casa, Minha Vida e o Mais Médicos. O objetivo é alertar os eleitores para possíveis consequências de mudanças no orçamento federal.
Lula defende votação sobre escala 6×1
O presidente também voltou a defender o avanço da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador tem um dia de descanso a cada seis dias trabalhados.
A expectativa mencionada por integrantes do governo é viabilizar a votação da matéria na próxima semana. A líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), informou que o requerimento para estabelecer um calendário especial já está preparado, com o objetivo de acelerar a tramitação antes do segundo turno.
Pelo cronograma citado, a primeira votação deve ocorrer na próxima quinta-feira (15). A oposição, por sua vez, defende que o procedimento siga o rito regimental habitual, o que poderia deixar a análise para depois das eleições.
Lula minimiza pesquisa eleitoral
Lula também comentou a primeira pesquisa Datafolha sobre o segundo turno, que aponta vantagem de Flávio Bolsonaro. No levantamento mencionado, o senador aparece com 52% das intenções de votos válidos, enquanto o atual presidente registra 48%.
Questionado sobre os números, Lula afirmou que não orienta sua campanha pelos resultados das pesquisas e destacou que pretende intensificar as atividades para conquistar novos eleitores.
“Eu não avalio pesquisa, não trabalho assim. Eu trabalho sabendo que preciso ter mais voto que o Flávio para ganhar as eleições. Eu tenho 17 dias para isso. E a minha obrigação é trabalhar para ganhar esses votos”, declarou.
A disputa entra, assim, em uma fase marcada pelo embate sobre economia, gastos públicos, programas sociais e direitos trabalhistas, temas que devem ganhar espaço nas estratégias dos dois candidatos até a votação decisiva.
