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Mensagens indicam que Vorcaro pediu ajuda a Moraes para conter investigações sobre Banco Master

Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelam que o banqueiro teria procurado repetidamente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir que ele interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, com o objetivo de conter o avanço das investigações envolvendo a instituição financeira.

O conteúdo das mensagens foi obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo. Os contatos entre Vorcaro e Moraes teriam ocorrido até poucas horas antes da primeira prisão do empresário, em novembro de 2025.

As mensagens foram enviadas em formato de visualização única, por meio de capturas de tela de textos produzidos no aplicativo de notas. Por esse motivo, a investigação conseguiu acessar os conteúdos enviados por Vorcaro, mas não recuperou as respostas atribuídas ao ministro.

Pedidos para conter ações da PF e da PGR

Em 30 de outubro de 2025, Vorcaro pediu a Moraes que conversasse com Andrei Rodrigues e Paulo Gonet para evitar possíveis medidas de delegados e procuradores contra o Banco Master.

O banqueiro demonstrava preocupação com informações de que uma ação poderia ser tomada contra ele e afirmou que a situação estaria gerando apreensão dentro do Banco Central.

Na mesma conversa, Vorcaro sugeriu que uma eventual reunião com o diretor-geral da PF e o procurador-geral da República poderia trazer segurança ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

O ex-banqueiro também fez elogios a Moraes, afirmando que tudo de importante estaria “no seu colo” e dizendo acreditar que o ministro teria um legado “eterno” para o Brasil.

Pressão aumentou antes da prisão

Nos dias que antecederam sua prisão, Vorcaro voltou a procurar Moraes. Em 4 de novembro, perguntou sobre possíveis medidas envolvendo o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e questionou se seria possível conversar com Paulo Gonet para tentar evitar novas ações.

No dia seguinte, afirmou estar sem saber exatamente qual investigação estava em andamento. Ele também relatou que seus advogados haviam conversado com Gonet.

Vorcaro ainda disse que não pretendia tomar nenhuma iniciativa sem antes saber a avaliação de Moraes. Segundo ele, seus advogados cogitavam apresentar uma petição aos órgãos competentes para se colocar à disposição e buscar informações sobre eventuais inquéritos.

Pedido para adiar medidas

Em 15 de novembro, dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou se seria possível reverter o avanço das investigações por meio de contatos com Paulo Gonet ou Andrei Rodrigues.

Já no dia 16, menos de 24 horas antes da prisão, o ex-banqueiro voltou a questionar Moraes sobre o que estaria acontecendo e perguntou se Andrei Rodrigues poderia “segurar” as medidas.

Minutos depois, às 16h57, Vorcaro fez um pedido direto para que Moraes tentasse convencer o diretor-geral da Polícia Federal a adiar as ações.

Vorcaro acabou preso na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando se preparava para viajar para Dubai.

Contrato milionário também entrou no caso

Além das mensagens sobre as investigações, documentos encontrados no celular de Vorcaro levantaram questionamentos sobre um contrato de R$ 131,27 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Segundo informações divulgadas pelo Estado de S. Paulo, os metadados do documento indicariam que a última edição do arquivo foi realizada por um perfil denominado “Ministro Alexandre de Moraes”, no Office 365.

A alteração teria ocorrido às 23h04 de 15 de janeiro de 2024, cerca de uma hora e 40 minutos depois de Vorcaro devolver o documento com uma alteração.

A negociação havia começado quatro dias antes, quando Viviane enviou a minuta do contrato diretamente ao banqueiro. Posteriormente, o documento passou por novas versões até chegar à assinatura.

Segundo documentos encaminhados à CPI do Crime Organizado, o Banco Master realizou 22 pagamentos ao escritório entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, que somaram aproximadamente R$ 80,2 milhões.

As informações sobre as mensagens e o contrato integram elementos que estão sendo analisados pelas autoridades no contexto das investigações envolvendo o Banco Master.