MPF abre inquérito para investigar suposto esquema de corrupção na Prefeitura de Barras

O Ministério Público Federal (MPF) converteu um procedimento preparatório em Inquérito Civil para aprofundar as investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo a Prefeitura de Barras, no Norte do Piauí. A apuração é conduzida pelo procurador da República André Batista e Silva e envolve suspeitas de corrupção, intermediação irregular de mão de obra e aplicação indevida de recursos federais.
Entre os principais alvos da investigação estão o prefeito de Barras, Edilson Sérvulo de Sousa, conhecido como Edilson Capote, e o irmão dele, Raimundo Wilson Sérvulo de Sousa, o Wilson Capote, ex-secretário municipal de Administração e candidato a deputado estadual.
Contratação de MEIs é alvo da investigação
De acordo com o MPF, a investigação analisa cinco pregões realizados pela Prefeitura de Barras em 2025, identificados pelos números 023, 053, 075, 082 e 091.
O órgão apura se Microempreendedores Individuais (MEIs) foram contratados para executar atividades que, segundo a investigação, deveriam ser desempenhadas por servidores efetivos, incluindo serviços gerais, condução de veículos e funções de apoio administrativo.
Para o Ministério Público Federal, há indícios de que esse modelo de contratação poderia ter sido utilizado para contornar a exigência constitucional de concurso público e favorecer pessoas ligadas politicamente à administração municipal.
As suspeitas ainda estão em fase de investigação e deverão ser analisadas a partir da documentação que será apresentada pela Prefeitura de Barras.
MPF apura movimentações do Fundeb
Outro ponto considerado relevante pelo MPF envolve recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Durante a análise preliminar, foram identificadas, segundo o órgão, diversas transferências de valores idênticos para pessoas físicas e jurídicas em dezembro de 2025.
Entre as movimentações analisadas está uma transferência de R$ 596.521,71 realizada a partir da conta do Fundeb para uma conta identificada em nome do Município de Barras.
O MPF busca esclarecer a finalidade da operação, a origem e a destinação dos recursos, além de verificar se houve compatibilidade entre as movimentações financeiras e as despesas efetivamente realizadas pelo município.
Prefeitura terá prazo para apresentar documentos
Diante das respostas consideradas insuficientes ou da ausência de atendimento a requisições anteriores, o procurador determinou novas diligências para aprofundar a apuração.
O prefeito e os responsáveis pelos setores municipais envolvidos deverão apresentar, no prazo de 15 dias, a documentação integral referente aos processos licitatórios investigados, além de notas fiscais e comprovantes bancários relacionados às operações.
Também está prevista uma análise técnica das movimentações financeiras da conta do Fundeb. O objetivo é confrontar os pagamentos realizados com os contratos firmados pelo município e verificar a existência de eventuais irregularidades.
O procedimento tramita sob sigilo de Nível 2, em razão da existência de informações fiscais e bancárias que fazem parte da investigação.
Investigação tem repercussão política
A abertura do Inquérito Civil amplia a apuração sobre a administração municipal de Barras e envolve diretamente Wilson Capote, que deixou a Secretaria Municipal de Administração e atualmente é candidato a deputado estadual.
A investigação, neste momento, apura possíveis irregularidades e não representa condenação ou comprovação dos fatos atribuídos aos investigados. Eventuais responsabilidades deverão ser definidas após a conclusão das diligências e análise das provas.
A reportagem procurou a Prefeitura de Barras e os citados para que apresentassem suas versões sobre os fatos, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.
