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Novas regras para doação de sangue entram em vigor no Brasil; veja o que mudou

As novas regras para doação de sangue no Brasil entram em vigor nesta quarta-feira (30). Entre as principais mudanças estão a possibilidade de doadores regulares continuarem realizando doações após os 70 anos e a redução do período de espera após tatuagens, piercings, endoscopias e outros procedimentos.

As alterações foram estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026, do Ministério da Saúde, que também modifica procedimentos relacionados aos testes realizados no sangue coletado, à identificação das bolsas e ao período de armazenamento das plaquetas.

Prazos para doação ficam menores

Uma das principais mudanças diz respeito ao intervalo necessário após determinados procedimentos.

No caso de tatuagem, maquiagem definitiva ou micropigmentação, o período de espera passa de seis meses para sete dias, desde que o procedimento tenha sido realizado em estabelecimento que siga as normas de segurança. Quando não for possível comprovar essas condições, o prazo será de quatro meses.

A nova regra também contempla procedimentos estéticos, como aplicação de botox, preenchimentos e microagulhamento.

Para quem possui piercing na boca ou na região genital, o prazo após a retirada passa de 12 para quatro meses.

Já pessoas que tenham realizado endoscopia ou colonoscopia deverão aguardar quatro meses, em vez dos seis meses previstos anteriormente.

No caso do uso de anabolizantes sem prescrição médica, o intervalo também passa de seis para quatro meses.

Doação após os 70 anos

Outra alteração está relacionada à idade dos doadores. Antes, a doação era permitida até os 69 anos. Pessoas entre 60 e 69 anos precisavam ter realizado a primeira doação antes dos 60.

Com a nova regulamentação, doadores regulares poderão continuar doando após os 70 anos, desde que estejam em boas condições de saúde, sejam considerados aptos na triagem realizada antes da coleta e respeitem os intervalos estabelecidos para a faixa etária.

Teste para malária passa a fazer parte da triagem

O sangue doado também passará a ser submetido a um teste para identificar o parasita causador da malária. A análise será incorporada ao NAT Plus, exame que já é utilizado para detectar HIV e os vírus das hepatites B e C.

Segundo o Ministério da Saúde, o teste para malária será obrigatório em todas as doações. A medida também permite reduzir o período de espera em determinadas situações de exposição à doença.

Quem esteve em municípios classificados como áreas de risco ou teve contato com regiões de mata, bosque ou floresta deverá aguardar 30 dias antes de realizar a doação.

Identificação das bolsas

As bolsas de sangue e as amostras coletadas também passarão a utilizar o padrão internacional ISBT 128 para identificação.

O sistema permite acompanhar cada bolsa desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a produção de medicamentos.

Outra mudança envolve as plaquetas, que poderão ser armazenadas por até sete dias, contra os cinco dias permitidos anteriormente, desde que sejam cumpridos os critérios de controle de qualidade.

As plaquetas são utilizadas principalmente em transfusões de pacientes com câncer, pessoas submetidas à quimioterapia e pacientes com doenças hematológicas. A ampliação do prazo de armazenamento pode contribuir para reduzir descartes e ampliar a disponibilidade do componente para transfusões.

Quem pode doar sangue?

Para realizar a doação, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar documento oficial com foto, inclusive em formato digital.

Adolescentes a partir dos 16 anos também podem doar, desde que tenham autorização do responsável.

Antes da coleta, todos os candidatos passam por uma triagem clínica, realizada por profissionais de saúde. Nessa etapa, são avaliadas as condições do doador e possíveis situações que possam exigir um período temporário de espera, como determinadas doenças, uso de medicamentos, viagens ou procedimentos recentes.

Número de doações no SUS

Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 3.264.138 coletas de sangue, o equivalente a 15,29 doações para cada mil habitantes. Segundo os dados divulgados pelo Ministério da Saúde, foi a maior taxa registrada desde o período da pandemia.