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TSE não encontra novas publicações investigadas no canal “Exército do Lula”, mas aponta mobilização coordenada

A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não identificou novas publicações com as informações investigadas pela Corte no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), entre os dias 2 e 11 de outubro. Apesar disso, o levantamento apontou indícios de mobilização coordenada para ampliar o alcance de conteúdos políticos e organizar ações de apoiadores nas redes sociais.

A informação foi encaminhada à Presidência do tribunal pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, após solicitação do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. O pedido ocorreu depois que a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) solicitou a suspensão do canal, que chegou a aproximadamente 3,3 milhões de seguidores em poucos dias.

As acusações investigadas envolvem publicações que atribuíam a Flávio Bolsonaro supostas intenções de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, envolvimento com milícias, redução de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), além do cancelamento do reajuste do Bolsa Família.

Segundo a análise técnica, não foram encontradas novas reproduções dessas afirmações no período examinado e nas fontes consultadas.

Canal cresceu de 55 mil para 3,3 milhões de seguidores

Embora não tenha identificado novas publicações com as alegações investigadas, a assessoria apontou sinais de organização coordenada entre os participantes do canal. Em aproximadamente seis dias, o número de seguidores saltou de cerca de 55 mil para 3,3 milhões.

As mensagens orientavam os integrantes a cumprir tarefas, chamadas de “missões”, nas redes sociais, incluindo o compartilhamento de conteúdos em horários determinados.

Em 8 de outubro, por exemplo, uma publicação pediu que os participantes curtissem, comentassem e compartilhassem um vídeo com a mensagem “Lula reeleito” antes mesmo de assisti-lo. A estratégia, conforme o relatório, buscava aumentar a relevância do conteúdo para os algoritmos das plataformas.

A área técnica também apontou dificuldades para reconstruir o histórico de mensagens que foram apagadas ou editadas, o que limita a análise completa das atividades realizadas no canal.

TSE determina preservação de registros

Diante das dificuldades para recuperar o histórico das publicações, Nunes Marques determinou que o WhatsApp preserve por pelo menos um ano os registros relacionados ao canal. A medida inclui mensagens publicadas, alteradas ou excluídas, além de informações sobre visualizações, reações e encaminhamentos.

No domingo (11), o presidente do TSE havia determinado a retirada temporária do canal do ar até a homologação do resultado do segundo turno das eleições. Horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, decidiu pelo restabelecimento provisório e encaminhou o caso para análise urgente do plenário da Corte.

O presidente do tribunal também convocou representantes das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para uma reunião na tarde desta terça-feira (13).

Presidente do TSE defende limites à mobilização política

Em sua decisão, Nunes Marques afirmou que a mobilização política nas redes sociais é legítima, mas não deve servir para disseminar conteúdos que a Justiça Eleitoral já tenha reconhecido como inverídicos.

O relatório técnico, entretanto, não apresentou uma nova conclusão sobre a veracidade das acusações anteriormente investigadas. O documento se limitou a registrar que não foram encontradas novas reproduções dessas afirmações durante o período analisado e nas fontes consultadas.

A análise sobre o funcionamento do canal e os desdobramentos do caso deverá orientar a avaliação do tribunal sobre as medidas relacionadas à atuação do grupo nas redes sociais.