Polícia Civil prende suspeitos em nova fase da Operação Extrema Confiança contra esquema milionário de pirâmide financeira

A Polícia Civil do Piauí, por meio da Delegacia-Geral, deflagrou nesta segunda-feira (22) a segunda fase da Operação Extrema Confiança, que investiga o maior esquema Ponzi — modalidade conhecida como pirâmide financeira — já registrado no estado. A ação teve como objetivo desarticular o grupo criminoso suspeito de aplicar golpes milionários em centenas de investidores do Piauí e Maranhão.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva contra dois investigados identificados pelas iniciais E.A.A., de 40 anos, e I.S.S., de 28 anos, nas cidades de Timon e São Luís, no Maranhão. Em Teresina, os policiais cumpriram uma medida cautelar diversa da prisão contra um terceiro suspeito, identificado pelas iniciais J.L.S.R., de 28 anos.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, o avanço das investigações permitiu identificar indícios da participação dos investigados nos crimes de estelionato qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
“O inquérito segue na sua fase de conclusão. Com a elaboração do relatório final, o delegado Luciano Alcântara formalizará o indiciamento dos envolvidos e a capitulação dos crimes praticados. O montante total desviado pelo esquema segue em análise e os detalhes contábeis serão divulgados assim que a auditoria for finalizada”, informou o delegado-geral.
Além das prisões, a operação tem como foco a repressão financeira qualificada, buscando enfraquecer a estrutura econômica da organização criminosa por meio do rastreamento, bloqueio e sequestro de bens e ativos financeiros.
A ação contou com o apoio do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPPI) e da Polícia Civil do Maranhão.
Esquema movimentou mais de R$ 440 milhões
A primeira fase da Operação Extrema Confiança foi realizada em setembro de 2025. Conforme as investigações, o empresário do setor musical Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido por promover o evento “Pagode do Chico”, teria enganado centenas de investidores por meio da empresa Xtreme Trader.
A Polícia Civil estima que mais de 300 pessoas tenham sido vítimas do esquema fraudulento, principalmente nos estados do Piauí e Maranhão. O grupo prometia lucros mensais de até 10% por meio de supostas operações na Bolsa de Valores do Brasil (B3), atraindo investidores com a promessa de rendimentos muito acima dos praticados pelo mercado financeiro.
Para dar aparência de legalidade ao negócio, os investigados registraram uma empresa de fachada denominada “Xtreme Trade” junto à Junta Comercial do Piauí.
As apurações apontam que, ao longo de aproximadamente dois anos e meio, a empresa e seu sócio-administrador movimentaram mais de R$ 440 milhões em créditos e débitos somados. O empresário é suspeito de ter arrecadado mais de R$ 80 milhões e causado prejuízos a pelo menos 400 pessoas.
Nome da operação faz referência à confiança das vítimas
De acordo com a Polícia Civil, o nome “Extrema Confiança” faz alusão ao elevado grau de confiança depositado pelas vítimas nos responsáveis pelo esquema, que, em muitos casos, entregaram economias acumuladas ao longo de toda a vida.
Polícia faz alerta sobre investimentos
A Polícia Civil também aproveitou para alertar a população sobre os riscos de investimentos que prometem lucros fáceis e rendimentos muito acima da média do mercado.
Antes de realizar qualquer aplicação financeira, os investidores devem verificar se a empresa ou profissional possui registro, certificação e autorização dos órgãos reguladores competentes, evitando assim cair em golpes financeiros semelhantes.
