Pela primeira vez, Tribunal de Justiça do Piauí passa a contar com quatro desembargadoras

A manhã desta segunda-feira (20) entrou para a história do Poder Judiciário do Piauí. Em solenidade realizada no Plenário do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí (TJPI), tomaram posse administrativamente as desembargadoras Maria Célia Lima Lúcio e Maria Luíza de Moura Mello e Freitas. Com a chegada das magistradas, a Corte passa a contar, pela primeira vez, com quatro mulheres ocupando o cargo de desembargadora, um marco para a representatividade feminina na mais alta instância da Justiça estadual.
A cerimônia reuniu magistrados, autoridades, familiares e convidados. Durante o evento, o presidente do TJPI, desembargador Aderson Nogueira, destacou a importância histórica da posse e ressaltou a trajetória das novas integrantes da Corte.
“Hoje vivemos um momento histórico para o Tribunal de Justiça do Piauí. Pela primeira vez, nossa Corte conta com quatro desembargadoras. Elas não chegam a este cargo por serem mulheres, mas por suas trajetórias de competência, dedicação e compromisso com a prestação jurisdicional de excelência. Embora tenham percorrido caminhos distintos, ambas são unidas pela mesma vocação pública, pelo elevado espírito de Justiça e pelo compromisso com o povo piauiense. Trata-se de uma conjunção de mérito, experiência e dedicação que muito contribuirá para o fortalecimento deste Tribunal. Sejam muito bem-vindas, queridas colegas”, afirmou.
Discurso emocionado
Ao tomar posse, a desembargadora Maria Célia Lima Lúcio fez um discurso marcado pela emoção, lembrando das pessoas que contribuíram para sua formação pessoal e profissional, especialmente as mulheres que fizeram parte de sua trajetória.
“Se hoje ocupo esta cadeira, é porque cada um dos senhores e senhoras ajudou a transformar uma possibilidade em realidade. Hoje, ao tomar posse, levo comigo um pouco de cada uma dessas pessoas. Levo a fé que sustentou minha mãe. A coragem da minha mãe. O cuidado da minha avó. A dedicação de Sebastiana. A generosidade de Maria do Livramento. A visão de futuro de Silvani. A coragem institucional da conselheira Salise”, declarou.
Já a desembargadora Maria Luíza de Moura Mello e Freitas reafirmou seu compromisso com uma atuação pautada pela independência, equilíbrio e respeito à dignidade humana.
“Chego a este momento com a mesma disposição que me acompanha desde o primeiro dia na magistratura: servir à Justiça com independência, equilíbrio, respeito às partes e absoluto compromisso com a dignidade da pessoa humana. Trago comigo a experiência vivida nas Varas da Infância e Juventude, onde aprendi que, por trás de cada processo, existe uma história, uma dor e, quase sempre, uma possibilidade de recomeço”, destacou.
Trajetória de Maria Célia Lima Lúcio
Com uma carreira consolidada na magistratura piauiense, Maria Célia Lima Lúcio atuou em diversas comarcas do interior, como Manoel Emídio, Francinópolis, Joaquim Pires, Luzilândia e União, antes de assumir funções de destaque em Teresina.
Na capital, foi titular do Juizado Especial da Fazenda Pública, integrou as Turmas Recursais dos Juizados Especiais, atuou no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), foi juíza auxiliar da Presidência do TRE-PI e convocada para a 4ª Câmara Especializada do TJPI. Também exerceu os cargos de coordenadora dos Juizados Especiais, coordenadora da Justiça Itinerante e, mais recentemente, diretora-geral do Tribunal de Justiça.
Especialista em Direito Processual Civil, possui MBA em Gestão Judiciária e é mestre profissional em Direito e Gestão de Conflitos. Também é autora de livros e artigos voltados ao aprimoramento da atividade jurisdicional.
Referência na área da infância e juventude
Magistrada desde 1987, Maria Luíza de Moura Mello e Freitas construiu sua carreira com atuação voltada principalmente à proteção dos direitos da criança, do adolescente e da família.
Atualmente, é titular da 1ª Vara da Infância e Juventude de Teresina e coordena importantes iniciativas no Judiciário piauiense, entre elas o Comitê Gestor Institucional de Justiça Restaurativa, o Núcleo de Justiça Restaurativa (NUJUR), a Coordenadoria Estadual Judiciária da Infância e Juventude (CEJIJ) e a gestão estadual do Sistema Nacional de Adoção (SNA).
Também integra, no biênio 2024–2026, a Corte do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), onde exerce a função de vice-diretora da Escola Judiciária Eleitoral.
Ao longo de quase quatro décadas de magistratura, tornou-se uma das principais referências do Judiciário piauiense na defesa dos direitos da infância e da juventude, na promoção da Justiça Restaurativa e no fortalecimento das políticas públicas de adoção e proteção integral de crianças e adolescentes.
Com a posse das duas magistradas, o Tribunal de Justiça do Piauí amplia a participação feminina em sua composição e reforça o compromisso com uma Justiça cada vez mais plural, representativa e alinhada aos princípios da igualdade e da valorização do mérito.

