Empresário acusado de liderar esquema de pirâmide financeira de R$ 600 milhões tem prisão mantida pela Justiça

A Justiça manteve a prisão preventiva do empresário Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como “Pagode do Chico” e proprietário da Xtreme Trader, durante audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (23), em Teresina. O investigado havia se entregado à Polícia Civil na quarta-feira (22), após retornar do Paraguai, onde estava foragido desde 2025.
De acordo com a Polícia Civil do Piauí, Francisco é apontado como líder de um esquema de pirâmide financeira que teria causado um prejuízo estimado em R$ 600 milhões e feito mais de 300 vítimas no Piauí e no Maranhão.
Segundo as investigações, o empresário prometia rendimentos mensais de até 10% sobre os investimentos. A promessa de altos lucros, aliada aos primeiros pagamentos realizados aos investidores e à ostentação exibida nas redes sociais, atraiu empresários, influenciadores e profissionais de diversas áreas, que investiram quantias entre R$ 20 mil e R$ 5 milhões.
A Polícia Civil afirma que a empresa Xtreme Trader atuava sem observar as normas estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável por regulamentar o mercado de capitais no Brasil.
Operação Extrema Confiança
As investigações resultaram na deflagração da Operação Extrema Confiança, em 18 de setembro de 2025. Na ocasião, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados à empresa e aos seus sócios em Teresina (PI) e Timon (MA).
Durante a operação, duas pessoas foram presas: Elison Araújo Abreu e Igor de Sousa Silva. Já Francisco conseguiu deixar o país antes do cumprimento das medidas judiciais.
Fuga para o Paraguai
Conforme informou o delegado responsável pelo caso, o empresário deixou o Brasil por via terrestre, partindo de São Paulo e atravessando a fronteira até chegar a Ciudad del Este, no Paraguai, onde permaneceu durante o período em que esteve foragido.
Em depoimento, Francisco afirmou que, enquanto esteve no país vizinho, trabalhava como trader utilizando recursos próprios. Segundo ele, possuía um capital remanescente que utilizava para realizar operações no mercado financeiro e custear sua permanência no exterior.
A Polícia Civil informou ainda que a namorada do empresário, Kayra Cardoso Guimarães, que também é investigada no caso, permanece foragida.
Investigação aponta fraude anterior
As investigações também identificaram que Francisco já teria se envolvido em outro esquema financeiro antes da criação da Xtreme Trader.
Segundo o delegado Luciano Alcântara, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), a primeira fraude atribuída ao empresário ocorreu entre 2018 e 2019, quando ele atuava em parceria com um fisioterapeuta realizando operações no mercado Forex.
De acordo com a polícia, as operações resultaram em prejuízos para diversos investidores. Algumas vítimas perderam cerca de R$ 400 mil, enquanto outras tiveram perdas próximas de R$ 100 mil. Ainda conforme a investigação, o parceiro chegou a ressarcir parte dos investidores no início, mas posteriormente desapareceu, deixando o empresário já endividado.
A Polícia Civil segue apurando o caso para identificar novos envolvidos, localizar bens que possam ser bloqueados e ampliar o ressarcimento às vítimas do esquema.
