Licitação de R$ 11 milhões em Barras levanta suspeitas após contratos com empresa do Maranhão

Uma licitação milionária realizada pela Prefeitura de Barras, sob a gestão do prefeito Edilson Capote, está gerando questionamentos após a escolha de uma empresa sediada no Maranhão para o fornecimento de materiais básicos ao município. O certame prevê um registro de preços no valor total de R$ 11 milhões, destinado à aquisição de material de expediente, produtos de limpeza e utensílios domésticos.
A empresa vencedora foi a Variedades Global Comércio em Geral Ltda., localizada em Timon (MA), com capital social declarado de R$ 900 mil. A partir desse registro, já foram firmados dois contratos: um com a Secretaria Municipal de Educação, no valor de R$ 2.821.311,82, e outro com a Secretaria Municipal de Saúde, estimado em R$ 1.994.129,73. Juntos, os contratos somam R$ 4.815.441,55 em recursos públicos.
A empresa tem como sócia-administradora a dentista Talyta Layza Sampaio de Abreu, filha do empresário Antonio Francisco Rocha de Abreu, proprietário de uma distribuidora de medicamentos em Teresina. O empresário foi alvo, em 2022, da Operação Free Rider, deflagrada pela Polícia Federal, que investigou um suposto esquema de manipulação de licitações e movimentação atípica de recursos. Segundo as investigações, ele teria atuado na facilitação da montagem de processos licitatórios. A relação familiar levanta questionamentos sobre possível influência ou continuidade de práticas investigadas.
Outro ponto que chama atenção está na quantidade dos itens previstos no edital. Entre os produtos listados, estão 60 mil litros de desinfetante, ao custo de R$ 384.096,00; 4 mil caixas de detergente líquido (com 24 unidades cada), somando R$ 260 mil; e 9.779 pacotes de sacos para lixo de 60 litros (com 100 unidades cada), ao valor aproximado de R$ 470 mil.
Também constam na licitação 3.505 caixas de papel (com 10 unidades cada), avaliadas em R$ 1.226.000,00, além de 8.775 caixas de copos descartáveis, que totalizam cerca de R$ 824 mil. Os volumes e valores previstos têm gerado dúvidas quanto à real necessidade e proporcionalidade das aquisições.
A escolha de uma empresa de fora do estado para atender demandas essenciais das áreas de educação e saúde, sem uma concorrência mais expressiva de fornecedores piauienses, também levanta suspeitas sobre a lisura do processo.
Diante dos indícios, especialistas apontam que o caso deve ser acompanhado de perto por órgãos de controle, como o Ministério Público do Piauí e o Tribunal de Contas do Estado.
