Nova ação da PF mira casa de Bolsonaro após questionamentos sobre paradeiro de armas

A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quarta-feira (9), um mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília. A diligência foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações relacionadas às armas registradas em nome do ex-chefe do Executivo.
Segundo a decisão do ministro, a medida foi motivada por divergências entre as informações apresentadas anteriormente pela defesa e os dados posteriormente encaminhados ao STF sobre a localização de armamentos registrados em nome de Bolsonaro. O objetivo da operação era verificar a existência de armas, munições, acessórios e documentos que eventualmente ainda estivessem sob posse do ex-presidente.
De acordo com a defesa, nenhum material foi encontrado durante a ação da Polícia Federal.
Na decisão, Alexandre de Moraes afirmou que as inconsistências nas informações prestadas justificavam a realização da busca domiciliar para assegurar o cumprimento da determinação de entrega de todas as armas registradas em nome de Bolsonaro.
Defesa informou paradeiro das armas
A operação ocorreu um dia após os advogados do ex-presidente comunicarem ao STF a localização das duas armas que ainda não haviam sido identificadas pela Polícia Federal.
Segundo a defesa, as dez armas registradas em nome de Bolsonaro já estão sob custódia de órgãos públicos ou tiveram seu paradeiro informado às autoridades competentes.
O acervo inclui seis pistolas, duas carabinas e duas espingardas. Entre os armamentos estão um fuzil Springfield Armory, um fuzil Caracal e uma pistola, presentes recebidos dos Emirados Árabes Unidos durante o mandato presidencial e que já haviam sido entregues às autoridades por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), em 2023.
Espingarda foi localizada no Rio Grande do Sul
Na terça-feira (8), a defesa informou que uma das espingardas presenteadas ao ex-presidente permanecia em uma loja de armas em Caxias do Sul (RS), de onde, segundo os advogados, nunca teria sido retirada. Inicialmente, a defesa havia informado que o armamento estava sob a guarda do Exército.
Durante as diligências, a Polícia Federal apreendeu a espingarda após o proprietário da loja informar que ela se encontrava em sua residência. A outra arma mencionada pela defesa está sob responsabilidade da Polícia Civil do Distrito Federal.
Reações à operação
Após a ação da Polícia Federal, um dos advogados de Bolsonaro, João Henrique de Freitas, afirmou que considera “lamentável” que um ex-presidente da República seja submetido a esse tipo de diligência.
A operação também gerou repercussão entre aliados políticos do ex-presidente. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que a medida teve o objetivo de criar uma “cortina de fumaça” para influenciar o noticiário. Outros apoiadores classificaram a ação como uma “espetacularização” e uma tentativa de “humilhação e constrangimento”.
Já o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, avaliou que a decisão do ministro Alexandre de Moraes representou um “excesso de zelo”.
A defesa de Jair Bolsonaro acompanha o andamento das investigações e informou que continuará colaborando com as autoridades no fornecimento das informações solicitadas.
