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Piauí chega a 100 trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão em 2026

A realidade do trabalho escravo contemporâneo voltou a chamar atenção no Piauí após uma operação do Ministério Público do Trabalho (MPT-PI) resultar no resgate de 40 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em três municípios do interior do Estado.

As fiscalizações ocorreram em Sussuapara, Floriano e Oeiras, onde foram identificadas situações de extrema precariedade em diferentes atividades. Em Sussuapara, 22 trabalhadores foram encontrados em obras da construção civil. Em Floriano, oito pessoas trabalhavam na extração da palha de carnaúba, enquanto outras dez foram localizadas em condições degradantes na cadeia produtiva da carnaúba, em Oeiras.

Em Sussuapara, os trabalhadores atuavam na construção de uma escola, de um campo society e em serviços de pavimentação de ruas.

Já em Floriano, os trabalhadores estavam envolvidos na extração da folha de carnaúba e viviam em condições consideradas degradantes. Entre os resgatados havia um adolescente de 17 anos.

Em Oeiras, a fiscalização identificou novamente problemas relacionados à cadeia produtiva da carnaúba. Segundo o procurador do Trabalho Edno Moura, a constatação chama atenção porque o setor não registrava casos de trabalho análogo à escravidão no Piauí desde 2023.

Condições degradantes

Entre as irregularidades encontradas pelas equipes de fiscalização estavam a ausência de direitos trabalhistas, alojamentos precários, falta de instalações sanitárias adequadas, fornecimento de água imprópria para consumo, ausência de equipamentos de proteção individual e alojamentos superlotados e sem energia elétrica.

Segundo o MPT, os trabalhadores também eram obrigados a fazer refeições e realizar necessidades fisiológicas ao relento.

Para Edno Moura, o cenário encontrado é preocupante e reforça a necessidade de fiscalização permanente e de maior responsabilidade por parte dos empregadores.

“A fiscalização precisa ser permanente e os empregadores de todos os setores devem assegurar condições dignas de trabalho e o cumprimento integral da legislação trabalhista. Trabalho digno pressupõe respeito à saúde, à segurança e aos direitos fundamentais do trabalhador”, destacou o procurador.

Empregadores terão que pagar indenizações

Os empregadores identificados durante as fiscalizações se comprometeram a pagar aproximadamente R$ 200 mil em verbas rescisórias aos trabalhadores resgatados.

Também foi acordado o pagamento de cerca de R$ 95 mil por danos morais individuais. A reparação por dano moral coletivo ainda está sendo discutida.

Número de resgates cresce no Piauí

Com os 40 trabalhadores retirados das condições degradantes, o Piauí chegou a 100 pessoas resgatadas de situações análogas à escravidão somente em 2026.

O número já supera com ampla margem os registros dos dois anos anteriores. Em 2025, foram 28 trabalhadores resgatados no Estado, enquanto 2024 terminou com 14 resgates.

Em anos anteriores, os números também foram expressivos. O Piauí registrou 159 resgates em 2023 e 180 em 2022.

As ocorrências identificadas ao longo de 2026 envolvem atividades como pavimentação, catação de raízes, carvoaria, trabalho escravo doméstico, extração de carnaúba e construção civil.

Para Edno Moura, o aumento dos casos identificados reforça a necessidade de atuação conjunta das instituições públicas.

“O fato de já termos alcançado 100 trabalhadores resgatados neste ano demonstra que o trabalho escravo contemporâneo ainda é uma realidade que exige atenção permanente do poder público e de toda a sociedade. A atuação integrada das instituições é fundamental não apenas para retirar essas pessoas de situações degradantes, mas também para responsabilizar os empregadores, garantir a reparação dos trabalhadores e prevenir novas ocorrências”, afirmou.

MPT orienta população a denunciar

O procurador também reforçou a importância da participação da população no combate ao trabalho escravo contemporâneo. Situações de exploração podem ser denunciadas ao Ministério Público do Trabalho no Piauí.

As denúncias podem ser feitas presencialmente nas unidades do MPT-PI em Teresina, Picos e Bom Jesus, além do site oficial do órgão e pelo WhatsApp (86) 99544-7488.

As denúncias podem ser realizadas de forma anônima e/ou sigilosa. Segundo o MPT, as informações repassadas pela população ajudam os órgãos de fiscalização a identificar situações de exploração, retirar trabalhadores de condições degradantes e responsabilizar os envolvidos.