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Trader da Xtreme diz à polícia que perdeu todo o dinheiro dos investidores na Bolsa e afirma que não há como ressarcir vítimas

O trader Francisco das Chagas, conhecido como Chico, declarou em interrogatório à Polícia Civil, nesta quarta-feira (22), que todo o dinheiro investido por clientes da empresa Xtreme foi perdido em operações na Bolsa de Valores. Segundo ele, não existe expectativa de devolver os valores às vítimas. Francisco é investigado por liderar um suposto esquema de pirâmide financeira que, de acordo com a Polícia Civil, movimentou mais de R$ 600 milhões e fez mais de 300 vítimas no Piauí e no Maranhão.

As informações foram divulgadas pelo delegado Luciano Alcântara, titular do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), responsável pelas investigações.

Durante o depoimento, Francisco afirmou que os recursos dos investidores foram consumidos em operações no mercado financeiro. Ele também revelou que parte do dinheiro foi utilizada para pagar parcelas de cartões de crédito de alguns clientes.

Segundo Luciano Alcântara, essa versão é compatível com o que foi encontrado durante o bloqueio das contas bancárias da empresa e do próprio investigado.

“No interrogatório, ele deixou bem claro que os valores investidos na Xtreme foram perdidos em operações, segundo ele, na Bolsa de Valores. Nós já tínhamos constatado no inquérito policial que, ao bloquear as contas bancárias da empresa e do próprio Chico, os valores existentes eram insignificantes. Chegamos a encontrar apenas centavos na conta da empresa Xtreme. Ele também afirmou que uma parte desses recursos foi utilizada para pagar cartões de crédito e parcelas de cartões de crédito de investidores”, afirmou o delegado.

As investigações apontam que parte dos investidores chegou a receber rendimentos mensais, porém sem recuperar o capital inicialmente aplicado. Já aqueles que aderiram ao negócio nos últimos meses antes do colapso da empresa não receberam qualquer retorno financeiro.

“Nós confirmamos que muitos desses clientes, ao fazer os investimentos, recebiam rendimentos mensais. Muitos receberam esses rendimentos, mas não recuperaram o valor total investido. Já alguns que entraram por último não receberam absolutamente nada. É justamente aí que reside o crime e o que caracteriza a pirâmide financeira”, destacou Luciano Alcântara.

De acordo com a Polícia Civil, a Xtreme deixou de pagar os rendimentos prometidos aos investidores em 2025, período em que Francisco desapareceu.

Percurso após o desaparecimento

No interrogatório, Francisco também detalhou o caminho percorrido após o início das investigações. Segundo ele, viajou para São Paulo no dia 25 de maio de 2025 com o objetivo de conseguir novos recursos para reerguer a empresa e quitar as dívidas com os investidores.

Como não conseguiu captar investimentos, seguiu para Ciudad del Este, no Paraguai, onde permaneceu até decidir se apresentar à Polícia Civil.

“Nós acompanhamos o percurso do Chico após a instauração do inquérito policial. Ele vai para São Paulo no dia 25 de maio e, segundo ele, tentaria levantar mais recursos para voltar a operar e tentar pagar as vítimas. Como não deu certo, ele seguiu para o Paraguai. Temos certeza de que ele foi de São Paulo para o Paraguai por via terrestre. O paradeiro dele era Ciudad del Este”, explicou o delegado.

Ainda conforme a investigação, Francisco afirmou que, durante o período em que permaneceu no Paraguai, trabalhava como trader utilizando recursos próprios para custear suas despesas.

Polícia continua rastreando recursos

Apesar da versão apresentada pelo investigado, a Polícia Civil informou que o rastreamento do dinheiro movimentado pela Xtreme continua. A expectativa é identificar o destino dos recursos por meio de informações obtidas junto ao Laboratório de Lavagem de Capitais do Ministério Público.

“O rastreamento está sendo feito. Já recebemos parte das informações e vamos delimitar para onde foi o dinheiro. Uma coisa é a versão apresentada por ele, outra é a demonstração que faremos da circulação e do fluxo desses recursos”, concluiu Luciano Alcântara.