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Prefeitura anuncia mais R$ 2,3 milhões para ampliar atendimento a pessoas em situação de rua

A rede de atendimento à população em situação de rua em Teresina recebeu R$ 3,969 milhões em investimentos da Prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi). Até o fim deste ano, a previsão é aplicar mais R$ 2,366 milhões na melhoria e ampliação dos serviços destinados a esse público.

Entre as ações previstas está a realização de reparos e manutenção na Casa do Caminho, unidade de acolhimento institucional para adultos em situação de rua. Também está prevista a abertura da Casa do Caminho II, que deverá ampliar a capacidade de acolhimento da rede municipal e fortalecer o atendimento especializado.

O planejamento dos investimentos considera ainda os dados do Censo da População em Situação de Rua (PSR) 2025, realizado pela Semcaspi em parceria com a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti).

Censo identificou 747 registros

A coleta de informações ocorreu entre 6 de outubro e 21 de novembro de 2025. Ao final do levantamento, foram consolidados 747 registros obtidos no Centro Pop e nos quatro Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) regionais.

O levantamento reuniu informações demográficas, sociais, de saúde e localização, permitindo traçar um diagnóstico sobre o perfil e as principais demandas das pessoas em situação de rua atendidas pela rede municipal.

Entre os registros, 68,6% estão na faixa etária de 30 a 59 anos, enquanto 86,05% são homens. Em relação à origem, 60,1% dos entrevistados nasceram em Teresina e 39,9% são provenientes de outros municípios ou estados. O levantamento também apontou que 52,5% afirmaram ter familiares na capital.

Outro dado chama atenção para o tempo de permanência nas ruas. Segundo o Censo, 47,8% estão nessa condição há mais de cinco anos, enquanto 23,9% relataram viver nas ruas há mais de dez anos.

Os números reforçam a necessidade de ações continuadas, que ultrapassem o atendimento emergencial e envolvam reconstrução de vínculos familiares, acesso a direitos e criação de oportunidades para retomada da autonomia.

Saúde também aparece entre as demandas

O diagnóstico identificou ainda demandas relacionadas à saúde. Entre os entrevistados, 27,8% relataram ter doenças crônicas e 27,2% disseram fazer uso regular de medicamentos.

O levantamento apontou também que 74,1% informaram fazer uso de substâncias psicoativas, o que evidencia a necessidade de integração entre a assistência social e os serviços de saúde no acompanhamento dessa população.

Centro Pop concentra serviços

Entre os principais equipamentos da rede está o Centro Pop, referência no atendimento à população em situação de rua. A unidade funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, com atendimento de assistentes sociais e psicólogos.

No local, são oferecidos serviços como atendimento jurídico, auxílio para regularização de documentos, acesso ao CadÚnico e a benefícios sociais, higiene pessoal, guarda de pertences e corte de cabelo.

A equipe também realiza encaminhamentos de acordo com as necessidades identificadas e atua na reconstrução de vínculos familiares, inclusive com a intermediação do contato entre usuários e parentes.

Alimentação e higiene

A segurança alimentar também integra as ações da rede municipal. Pessoas em situação de rua têm acesso a refeições por meio dos restaurantes populares e de jantares distribuídos em diferentes pontos da capital.

Outro serviço é o Carro do Banho, que leva estrutura para banho e cuidados de higiene diretamente aos locais onde estão as pessoas em situação de rua. Além do banho, são distribuídos kits de higiene e roupas.

A iniciativa atua em conjunto com o Consultório na Rua, da Fundação Municipal de Saúde (FMS), facilitando o encaminhamento e a aproximação dos usuários com os serviços de saúde.

Casa do Caminho oferece acolhimento

A Casa do Caminho integra a Proteção Social Especial de Alta Complexidade e atende adultos de 18 a 59 anos em situação de rua. A unidade possui capacidade para 45 acolhidos e oferece estadia provisória, alimentação e acompanhamento individualizado.

O trabalho é organizado por meio do Plano Individual de Atendimento (PIA), elaborado por uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, assistentes sociais e educadores sociais.

Durante o período de acolhimento, os usuários podem ser encaminhados para serviços e instituições como Centro Pop, Consultório na Rua, CAPS, CAPS AD, Defensoria Pública, Sine e postos de identificação.

Abordagem acontece nos territórios

A atuação da Prefeitura também ocorre diretamente nas ruas por meio do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS). As equipes fazem a aproximação com pessoas em situação de rua, identificam demandas e realizam orientações, acompanhamentos e encaminhamentos para os equipamentos da rede.

A política municipal reúne, dessa forma, ações voltadas tanto para necessidades imediatas, como alimentação, higiene e documentação, quanto para demandas que exigem acompanhamento contínuo, incluindo acesso à saúde e benefícios, acolhimento institucional, reconstrução de vínculos familiares e estratégias para retomada da autonomia.