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Gaeco prende quatro pessoas em operação que investiga fraude em licitações e desvio de recursos

Uma investigação sobre contratos públicos firmados pelo município de Floriano, no Sul do Piauí, resultou na deflagração da operação (DES)CONCRETAR na manhã desta quinta-feira (9). A ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apura suspeitas de desvio de recursos públicos e fraude em licitações.

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão em Teresina, sendo um deles contra um policial militar. Em Floriano, as equipes também cumprem 19 mandados de busca e apreensão.

A investigação teve início após uma representação feita por vereadores e a análise de documentos relacionados à contratação de uma empresa de construção civil para a reforma do Mercado Público Central de Floriano.

Sigilos foram quebrados durante investigação

Com autorização judicial, os investigadores tiveram acesso a dados bancários, telefônicos e telemáticos dos envolvidos. Segundo o Gaeco, as informações revelaram indícios de direcionamento de licitações, aditamentos contratuais sem respaldo legal e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos investigados.

Além das prisões e buscas, a Justiça determinou a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas, que ficam impedidas de firmar novos contratos com a administração pública.

Também foi determinada a suspensão dos contratos atualmente vigentes entre essas empresas e o município de Floriano.

Investigação aponta suposto esquema

De acordo com o Gaeco, o grupo investigado teria uma forma de atuação estruturada para garantir contratos públicos.

Antes da realização das licitações, os envolvidos supostamente se aproximavam de agentes políticos e ofereciam favores com o objetivo de influenciar futuras contratações.

Na etapa seguinte, segundo a investigação, os processos licitatórios seriam direcionados por meio de acordos prévios entre empresas concorrentes. Em alguns casos, haveria a participação simulada de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico para criar uma aparência de concorrência e assegurar previamente o resultado.

Após a assinatura dos contratos, os investigados supostamente utilizavam aditivos de valores sem fundamento legal, alterando de forma significativa o objeto inicialmente licitado e aumentando os valores pagos pela administração pública.

O Gaeco aponta ainda que, por não possuir capacidade operacional e mão de obra suficientes para executar simultaneamente todos os contratos, o grupo recorreria à subcontratação de terceiros.

Os valores recebidos do poder público seriam posteriormente transferidos entre contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo. Na etapa final, o dinheiro seria retirado em espécie de forma fracionada, com valores abaixo dos limites que exigem comunicação obrigatória aos órgãos de controle.

PM confirma condução de policial

A Polícia Militar do Piauí informou que prestou apoio ao Gaeco durante o cumprimento dos mandados. Segundo a corporação, o policial militar identificado pelas iniciais W.M.C.J. foi conduzido pelas autoridades por ser investigado no âmbito da operação.

Em nota, a PM destacou que os fatos atribuídos ao militar ainda serão apurados e ressaltou a necessidade de respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.

A operação segue em andamento, e as investigações devem avançar para esclarecer a participação de cada um dos envolvidos e a eventual dimensão dos prejuízos aos cofres públicos.